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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Quais outras figuras religiosas também foram crucificadas?

Antes de Cristo, várias divindades em épocas e regiões bem diferentes entre si foram descritas sofrendo o mesmo castigo.
Essa punição era muito popular na Antiguidade para reprimir escravos, ladrões e indivíduos que ameaçassem o poder do Estado.
A coincidência de ter sido adotada em vários relatos de figuras messiânicas pode ser explicada pelo registro oral dessas histórias – que eram contadas, mudadas e recontadas até, enfim, serem registradas por escrito anos depois.
Nesse meio-tempo, acabavam influenciando umas às outras. Para alguns pesquisadores, esses casos provam como o cristianismo absorveu outras referências anteriores para “montar” a simbologia em torno de Jesus.



Pegaram para Cristo – histórias de crucificados muito parecidas com a de Jesus

Serpente alada
  • Divindade: Quetzalcóatl
  • Onde: México
  • Quando: 587 A.C.
Venerado por astecas, toltecas e maias, seu nome combina “quetzal” (uma ave nativa, com belas plumas) e “cóatl” (serpente). Também nasceu de uma mãe virgem para livrar os homens de seus pecados. Foi batizado na água, ungido com óleos e jejuou por 40 dias. Crucificado entre dois ladrões, renasceu e subiu aos céus.

Entre os animais
  • Divindade: Esus
  • Onde: Bretanha
  • Quando: 834 A.C.
Nasceu da virgem Mayence, hoje representada como uma santa envolta em 12 estrelas e uma serpente aos pés. Foi crucificado em um carvalho, considerada “a árvore da vida”, entre um elefante (que simbolizaria a magnitude dos pecados da humanidade) e um cordeiro (alusão à pureza de quem se oferece para o sacrifício divino).
O poeta romano Lucano (39-65) não estabelece de que maneira Esus (essa é a grafia correta) teria morrido.

Sofrimento sem fim
  • Divindade: Prometeu
  • Onde: Grécia
  • Quando: Não é possível estabelecer uma data para a sua morte
Foi o Titã que libertou e “iluminou” a raça humana ao lhe dar o fogo dos deuses. Por essa ousadia, foi condenado por Zeus a viver pregado numa rocha, com o fígado devorado por uma águia. Para os gregos, era nesse órgão que ficavam os sentimentos, e não no coração.

Três em um
  • Divindade: Bali
  • Onde: Índia
  • Quando: 725 A.C.
Segundo o historiador Godfrey Higgins, a cidade de Mahabalipore, na Índia, traz registros dessa crucificação, que também teria servido para limpar nossos pecados. “Bali” significa “Segundo Senhor” – ele integrava uma trindade que compunha um só Deus. Era cultuado como Deus e como filho Dele.

Amai a todos
  • Divindade: Indra
  • Onde: Tibete
  • Quando: 725 A.C.
Sua mãe, virgem, era negra. Indra também. Acreditava-se que ele tinha poderes extraordinários, como prever o futuro, andar sobre as águas e levitar. Indra era um deus guerreiro, que não pregava a paz, e defendia que a castidade era o único caminho para se tornar santo.

Já vi essa história...
  • Divindade: Krishna
  • Onde: Índia
  • Quando: 900 A.C.
Tem muitos pontos em comum com Jesus. Segundo textos hindus, como o Bhagavata Purana e o Mahabaratha, seu nascimento estava previsto em um livro sagrado. Para evitar que a profecia se concretizasse, o governante da região mandou matar todos os recém-nascidos. Sua mãe era uma virgem de origem humilde, que recebeu a visita de pastores quando deu à luz. Krishna peregrinou por regiões rurais dando sermões, curando doentes e operando milagres, como a multiplicação de peixes. Recomendava aos discípulos que amassem seus inimigos. Segundo alguns relatos, teria sido crucificado – assim como Jesus, entre dois ladrões e aos 33 anos. Ressuscitou no terceiro dia e subiu aos céus, mas avisou que ainda voltaria à Terra.
Em uma segunda versão dos fatos, Krishna teria sido vítima de flechada, aos 125 anos. Sua mãe, Devaki, não era virgem.

Mão santa
  • Divindade: Sakia
  • Onde: Índia
  • Quando: 600 A.C.
Nasceu para expiar os pecados do mundo e sua mãe era chamada por seus seguidores de Virgem Sagrada. Assim como Jesus, operou milagres e curou doentes. Foi tentado pelo diabo e deixou mandamentos como “não matarás”, “não roubarás”, “não pecarás”, “não cometerás adultério” e “não mentirás”. Ficou eternizado pelo símbolo da cruz.

Esposa exemplar
  • Divindade: Alceste
  • Onde: Grécia
  • Quando: 600 A.C.
É o único caso de que se tem relato sobre uma mulher sendo crucificada para livrar a humanidade dos próprios pecados. Ela também era parte de uma Santíssima Trindade. A morte da deusa gera controvérsia: algumas versões defendem que ela deu a vida para salvar o marido, Eurípedes. Como recompensa, teria ressuscitado ainda mais bela. Humana, Alceste teria sido levada pelo deus da morte, Tanatos.

Fonte: The Odd Index, de Stephen J. Spignesi. Consultoria: André Leonardo Chevitarese, professor do Instituto de História da UFRJ e autor de Cristianismos: Questões e Debates Metodológicos.

(Copiado do site Mundo Estranho)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A fé tem o seu lugar


A fé tem o seu papel. Tem o seu lugar. Quando a fé sai do seu lugar e deixa de exercer o seu papel, entrando em assuntos aos quais não lhe diz respeito, a razão é seriamente ameaçada. E fé sem razão é fanatismo.

O Deus (Ou os Deuses) tem sua influência, mas esta não pode suplantar a Razão. É por causa da Razão que somos seres Racionais. Tirando a Razão, o ser humano é apenas mais uma fera, guiado por seus instintos mais primitivos de fúria, cobiça, medo e desejo.

Razão é pensamento. É analisar se tal coisa é boa ou ruim para nossa vida. Sem a Razão, a Sociedade mergulha no caos, extinguindo-se em pouco tempo.

Mas, infelizmente, as pessoas andam dando à fé as funções que deveriam ser exercidas pela Razão. A definição de certo e errado, de bem e de mal, que deveria estar a cargo da Razão, a partir da Ética, é usurpada e jogada a cargo da fé.

Ou seja, em vez de consultar a Razão pra definir o certo e o errado, ou a Ética para traçar o que é bom ou mau, as pessoas usam unicamente a sua fé. Seus textos religiosos, e as diversas interpretações desses textos, acabam por substituir a Ética e a Razão na definição Certo/Errado ou Bem/Mal.

E são as definições do bem e do mal, do certo e do errado, que ditam o que devemos – Ou não – fazer. E, dado o número crescente de novas religiões, variantes, dissidências e reinterpretações, os conceitos Certo/Errado e Bem/Mal variam conforme o lugar onde tal fé predomina. Religiões condenam certas coisas naturais ao ser humano, e algumas dessas proibições chegam a ser até absurdas. Religiões hindus proíbem consumo de carne de vaca, e o islã proíbe o consumo de carne de porco. Leis tribais tentam se impor em sociedades modernas, leis essas ditadas pelo poder religioso, cada vez mais crescente. E o pior, as leis religiosas não mudam com o tempo. São anacrônicas, não levando em conta coisas tais como evolução, avanços tecnológicos ou mesmo culturas alheias.