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sexta-feira, 12 de abril de 2013

DESPREGADOR URGENTE: Curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho” é censurado no Acre

Numa recente demonstração de autoritarismo e desrespeito à laicidade do Estado, o premiado curta-metragem “Eu Não Quero Voltar Sozinho” foi censurado no Acre. O filme fazia parte da programação do Cine Educação, projeto voltado à inserção da arte no ambiente escolar. Entretanto, a temática central do filme (o surgimento de uma relação homoafetiva entre colegas de escola, complexificada pela deficiência visual de um deles) desagradou os líderes religiosos locais. Tais líderes, numa atitude absolutamente inaceitável de intolerância, conseguiram proibir a exibição do filme pressionando os políticos locais. Não satisfeitos com essa barbárie, os fundamentalistas homofóbicos conseguiram paralisar o Cine Educação, cujo futuro está agora ameaçado.
O caso já foi notícia em vários canais, como o jornal A Capa e o Cineclick UOL (confira a lista completa no final do post). Uma outra reação de impacto foi carta de repúdio do Movimento Audiovisual Acreano Contra a Censura, com o subtítulo “O ESTADO BRASILEIRO É LAICO!“, que também lista os prêmios nacionais e internacionais que o curta metragem já ganhou. Segundo o Movimento, este é “um dos filmes brasileiros mais premiados dos últimos tempos em vários Festivais de Cinema Nacional e Internacional”.
Assista aqui o filme “Eu Não Quero Voltar Sozinho” , e confira logo abaixo a mensagem da Lacuna Filmes, produtora do curta, na íntegra:>


Queridos amigos e colegas,
No início da semana recebemos a notícia de que a exibição do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, como parte do programa Cine Educação, havia sido censurada no Acre.
O programa Cine Educação, uma parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, tem como objetivo ”a formação do cidadão a partir da utilização do cinema no processo pedagógico interdisciplinar” e disponibiliza diversos filmes cujos temas englobem os direitos humanos, de modo que professores escolham quais são mais adequados para serem trabalhados em aula.
Na semana passada, no estado do Acre, uma professora escolheu o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho e exibiu-o para seus alunos. Para aqueles que não conhecem, a trama narra a história de Leonardo, um adolescente cego que, ao longo do filme, vai se descobrindo apaixonado por um novo colega de sala.
Alunos presentes na exibição confundiram o curta metragem com o “kit anti-homofobia” e levaram a questão aos líderes religiosos, que mobilizaram políticos da região com o intuíto de proibir o projeto Cine Educação como um todo. Nenhum desses representantes públicos deu-se ao trabalho de ir atrás da verdade e descobrir que se tratava de um programa pedagógico com o intuito de levar o debate sobre direitos humanos para a sala de aula. Mais uma vez no Brasil, a educação perde a batalha contra o poder assustador das bancadas religiosas e conservadoras.
Neste momento, o programa Cine Educação está paralisado. Enquanto isso, os secretários de Educação e de Direitos Humanos do Acre estão articulando com o governador a possibilidade de garantir sua continuidade, enquanto os líderes evangélicos forçam o cancelamento definitivo do programa. Pelo que sabemos, mesmo que o programa seja reativado, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho será excluído do catálogo e não mais ficará disponível para que professores o utilizem no debate de questões que envolvem algo tão elementar quanto a sexualidade humana e tão importante quanto a deficiência visual.
De forma arbitrária, em uma república federativa cuja Constituição atesta um Estado laico, a sociedade está sendo privada de promover debates. Como pretendemos que adolescentes consigam respeitar a diversidade e formem-se cidadãos lúcidos, pensantes e ativos se informação, arte e cultura (sem qualquer caráter doutrinário) lhes são negadas?
Eu Não Quero Voltar Sozinho não é um filme proselitista, tampouco ergue bandeiras de nenhuma natureza. É apenas uma obra de ficção amplamente premiada em festivais de cinema no Brasil e no exterior, cujos predicados artísticos e humanos transcendem qualquer crença. Ademais, se assuntos referentes à orientação sexual dos indivíduos e seus respectivos direitos civis estão na pauta do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, por que não debatê-los em sala de aula? Que combate sombrio é esse, que reacende a memória de um obscurantismo Inquisidor?
Produtores do Eu Não Quero Voltar Sozinho
Daniel Ribeiro e Diana Almeida
Abaixo, o curta metragem na íntegra:


Posts e Matérias: Cineclick – UOL: Premiado em Paulínia, filme gay é censurado em projeto educativo
ACapa: Curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho” é proibido no Acre, confundido com kit anti-homofobia
No Ghetto: “Eu Não Quero Voltar Sozinho” censurado no Acre.
Papo de Homem: Dois casos de censura
Anderssauro: Eu Não Quero Voltar Sozinho
Update or die: Eu Não Quero Voltar Sozinho
Gay1: Premiado em Paulínia, curta gay é censurado em projeto educativo
Fonte: Bule Voador.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

...E o Papa pede pra sair!

Alegando falta de condições de saúde, Joseph Ratzinger abdica do Trono da Santa Sé, do cargo que para muitos é o último cargo logo abaixo de Deus. Joseph Ratzinger não é mais o papa Bento XVI.

Ratzinger foi um covarde. Contra ele, além de seu passado na Juventude Hitlerista (Embora isso seja irrelevante, mas conta como estigma indelével), pesam as acusações de acobertamento de sacerdotes pedófilos, inclusive com provas em escrito assinadas pelo próprio papa.

Vale lembrar que a renúncia ao Papado só aconteceu, com esta última, quatro vezes em toda a história da Igreja Católica, sendo que a renúncia anterior foi no Século XV. Bem antes do Descobrimento do Brasil.

Vale lembrar que, dentre os postulantes à Mitra Papal, está um cardeal negro cujo coração também é negro, pois é a favor da pena de morte para homossexuais - Sim, é da Uganda.

Vale lembrar que a Igreja Católica tem passado por um retorno ao misticismo e ao recrudescimento conservadorista, iniciado sutilmente por João Paulo II (João Paulo I era mais liberal, e não durou nem um mês). "Cientistas" ditos cristãos estão querendo enfiar o Geocentrismo (A Terra, Centro do Universo) goela abaixo dos leigos, e a Teoria da Evolução de Charles Darwin foi barrada, inacreditavelmente, na Coreia do Sul, país que possui uma das melhores educações do mundo. E de maioria budista.

Com certeza, o próximo papa será de tendência mais conservadora que Ratzinger e Wojtyla, e grandes são as chances de surgir um papa africano, com vistas a barrar o avanço evangélico no continente (Na verdade, é trocar seis por meia dúzia) e reconquistar fiéis e influência. Através do medo, da força e da corrupção.

O mundo está sendo sacudido por fenômenos físicos e sociais. Grande é a possibilidade de um novo "levante cristão" contra os não-cristãos, mas igualmente grande é a possibilidade de uma Guerra Santa entre católicos e evangélicos. Todavia, esperemos pela "fumaça branca" do Conclave.

Se a ICAR te incomoda, melhor você se armar. Uma nova Idade das Trevas pode estar despontando no Horizonte...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Quais outras figuras religiosas também foram crucificadas?

Antes de Cristo, várias divindades em épocas e regiões bem diferentes entre si foram descritas sofrendo o mesmo castigo.
Essa punição era muito popular na Antiguidade para reprimir escravos, ladrões e indivíduos que ameaçassem o poder do Estado.
A coincidência de ter sido adotada em vários relatos de figuras messiânicas pode ser explicada pelo registro oral dessas histórias – que eram contadas, mudadas e recontadas até, enfim, serem registradas por escrito anos depois.
Nesse meio-tempo, acabavam influenciando umas às outras. Para alguns pesquisadores, esses casos provam como o cristianismo absorveu outras referências anteriores para “montar” a simbologia em torno de Jesus.



Pegaram para Cristo – histórias de crucificados muito parecidas com a de Jesus

Serpente alada
  • Divindade: Quetzalcóatl
  • Onde: México
  • Quando: 587 A.C.
Venerado por astecas, toltecas e maias, seu nome combina “quetzal” (uma ave nativa, com belas plumas) e “cóatl” (serpente). Também nasceu de uma mãe virgem para livrar os homens de seus pecados. Foi batizado na água, ungido com óleos e jejuou por 40 dias. Crucificado entre dois ladrões, renasceu e subiu aos céus.

Entre os animais
  • Divindade: Esus
  • Onde: Bretanha
  • Quando: 834 A.C.
Nasceu da virgem Mayence, hoje representada como uma santa envolta em 12 estrelas e uma serpente aos pés. Foi crucificado em um carvalho, considerada “a árvore da vida”, entre um elefante (que simbolizaria a magnitude dos pecados da humanidade) e um cordeiro (alusão à pureza de quem se oferece para o sacrifício divino).
O poeta romano Lucano (39-65) não estabelece de que maneira Esus (essa é a grafia correta) teria morrido.

Sofrimento sem fim
  • Divindade: Prometeu
  • Onde: Grécia
  • Quando: Não é possível estabelecer uma data para a sua morte
Foi o Titã que libertou e “iluminou” a raça humana ao lhe dar o fogo dos deuses. Por essa ousadia, foi condenado por Zeus a viver pregado numa rocha, com o fígado devorado por uma águia. Para os gregos, era nesse órgão que ficavam os sentimentos, e não no coração.

Três em um
  • Divindade: Bali
  • Onde: Índia
  • Quando: 725 A.C.
Segundo o historiador Godfrey Higgins, a cidade de Mahabalipore, na Índia, traz registros dessa crucificação, que também teria servido para limpar nossos pecados. “Bali” significa “Segundo Senhor” – ele integrava uma trindade que compunha um só Deus. Era cultuado como Deus e como filho Dele.

Amai a todos
  • Divindade: Indra
  • Onde: Tibete
  • Quando: 725 A.C.
Sua mãe, virgem, era negra. Indra também. Acreditava-se que ele tinha poderes extraordinários, como prever o futuro, andar sobre as águas e levitar. Indra era um deus guerreiro, que não pregava a paz, e defendia que a castidade era o único caminho para se tornar santo.

Já vi essa história...
  • Divindade: Krishna
  • Onde: Índia
  • Quando: 900 A.C.
Tem muitos pontos em comum com Jesus. Segundo textos hindus, como o Bhagavata Purana e o Mahabaratha, seu nascimento estava previsto em um livro sagrado. Para evitar que a profecia se concretizasse, o governante da região mandou matar todos os recém-nascidos. Sua mãe era uma virgem de origem humilde, que recebeu a visita de pastores quando deu à luz. Krishna peregrinou por regiões rurais dando sermões, curando doentes e operando milagres, como a multiplicação de peixes. Recomendava aos discípulos que amassem seus inimigos. Segundo alguns relatos, teria sido crucificado – assim como Jesus, entre dois ladrões e aos 33 anos. Ressuscitou no terceiro dia e subiu aos céus, mas avisou que ainda voltaria à Terra.
Em uma segunda versão dos fatos, Krishna teria sido vítima de flechada, aos 125 anos. Sua mãe, Devaki, não era virgem.

Mão santa
  • Divindade: Sakia
  • Onde: Índia
  • Quando: 600 A.C.
Nasceu para expiar os pecados do mundo e sua mãe era chamada por seus seguidores de Virgem Sagrada. Assim como Jesus, operou milagres e curou doentes. Foi tentado pelo diabo e deixou mandamentos como “não matarás”, “não roubarás”, “não pecarás”, “não cometerás adultério” e “não mentirás”. Ficou eternizado pelo símbolo da cruz.

Esposa exemplar
  • Divindade: Alceste
  • Onde: Grécia
  • Quando: 600 A.C.
É o único caso de que se tem relato sobre uma mulher sendo crucificada para livrar a humanidade dos próprios pecados. Ela também era parte de uma Santíssima Trindade. A morte da deusa gera controvérsia: algumas versões defendem que ela deu a vida para salvar o marido, Eurípedes. Como recompensa, teria ressuscitado ainda mais bela. Humana, Alceste teria sido levada pelo deus da morte, Tanatos.

Fonte: The Odd Index, de Stephen J. Spignesi. Consultoria: André Leonardo Chevitarese, professor do Instituto de História da UFRJ e autor de Cristianismos: Questões e Debates Metodológicos.

(Copiado do site Mundo Estranho)

sábado, 30 de junho de 2012

EU SEI: O domínio silencioso do fanatismo




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“…todos os crentes parecem escandalosos e indiscretos: procura evitá-los” (Nietzsche)
Em nossa época, supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo, vem do latim fanaticus, quer dizer “o que pertence a um templo”, fanum. O indivíduo fanático  ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um líder mundano, uma causa suprema ou uma fé cega. O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais  que visa  servir à um ser  poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo demônio”, “combater as forças do Mal” ou “salvar a humanidade” do caos.
Tendo origem no dogma religioso, o fanatismo não se restringe a esse campo único; existe fanatismo por uma raça, um time de futebol, por um partido político, sobretudo por ideologias revolucionárias quando extrapolam a dimensão racional, sentindo-se guiada pela “fantasia da escolha divina”.  Foi fanatismo religioso que fez muitos seguirem Jin Jones (Templo do Povo), Asahara (Verdade suprema), David Koresh (Ramo davidiano), Jo Dimambro (Templo Solar) e tantos outros místicos ou charlatães que terminaram causando tragédias coletivas, noticiadas no mundo todo. A história conheceu também os histerismos coletivos da “caça as bruxas”, a perseguição aos negros, índios, comunistas, homossexuais, prostitutas.  O movimento da Jihad islâmica contra os “infiéis do ocidente” e a “guerra aos terroristas” do ocidente cristão, demonstram que o fanatismo está vivo e atuante em nossa época supostamente “científica” e “tecnológica”. Precisamos admitir que, a história da humanidade é também a história dos vários fanatismos dominando grupos humanos, sempre com conseqüências trágicas. Esse pedaço da história renegado nos causa vergonha, medo e sinalizam alertas para possíveis efeitos negativos no rumo da civilização.
Como dissemos, o fanatismo atua para além do efeito religioso, mas não extrapola ao campo ideológico como um todo. Há fanatismo entre crentes de todo o tipo, do menos ao mais irracional. Mas, não existe fanatismo racional, em que pese o fato de um certo tipo de razão (instrumental, cínica, etc) também ter cometidos os seus desatinos e crimes. Assim, para o fanático religioso, não basta adorar um Deus visto como Senhor absoluto, é necessário ser soldado dele na terra, lutar pela causa superior, pregar, exorcizar, forçar os “infiéis” ou “divergentes” à conversão absoluta, à qualquer preço. O fanático está sempre disposto a dar provas do quanto sua causa suprema vale mais do que as próprias vidas: dele, de sua família ou mesmo de toda a humanidade. Ele mata por uma idéia e igualmente morre por ela.
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Os sintomas do fanatismo
Os sintomas do fanatismo, em grupo, são: orações, privações, peregrinações, jejum, discursos monológicos e martírios que podem terminar com o sacrifício da própria vida visando salvar o mundo das “trevas” ou do que ele entende ser “o mal”.
O fanático não fala, faz discursos; é portador de discursos prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso ou a inculcaçãopolítica de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento, tomado sempre como revelação da “ira de Deus” ou “a inevitável marcha da história” ou, ainda, a suposta “superioridade de uns sobre os demais”. Faz discursos e não fala, porque enquanto a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo, da dialética, do discernimento da verdade, os discursos - especialmente odiscurso fanático - fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo divinizado; servir ao desejo divino e à produção da repetição de algo já pronto, onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego) um porta-voz de um sistema de crenças moralistas carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o Bem.
Os textos sagrados, tomados literalmente, fornecem a sustentação “teórica” do discurso fundamentalista religioso; com ele, o indivíduo acredita, a priori, estar de posse de toda a verdade e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas, como confrontar com outro ponto de vista, ou desvelar outro sentido de interpretação, ou ainda, contextualizá-lo, etc. O fanático tem certezae isso lhe basta. Creio porque é absurdo, já dizia Tertuliano. Certeza para ele é igual a verdade. (Segundo Popper, no campo científico, a certeza nada vale porque é “raramente objetiva: geralmente não passa de um forte sentimento de confiança, ou convicção, embora baseada em conhecimento insuficiente”, já a verdade tem estatuto de objetividade, na medida em que “consiste na correspondência aos factos”, na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação. (Popper, 1988, p. 48).
O problema da religião não é a paixão “fé”, mas a inquestionalidade de seu método. O método de qualquer religião traz uma certezadivulgada em forma de monólogo, jamais de diálogo ou debate de idéias. O pastor, padre, rabino, ou qualquer pregador de rua, vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação; acreditam que “vale tudo” para difundir a “verdade única” que o tocou e o transformou para sempre! O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante, declarações, comunicados, que jamais se voltam para escuta ou o diálogo, exercício esse que faria emergir a verdade – não a “certeza”.
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Psicopatologia do fanatismo
Do ponto de vista psicopatológico, todo fanatismo parece ter relação com a fuga da realidade.  A crença cega ou irracional parece loucura quando se manifesta em momentos ou situações específicas, porém se sua inteligência não está afetada, o fanático aparentemente é um sujeito normal. No entanto, torna-se um ser potencialmente explosivo, sobretudo se o fanatismo se combinar com uma inteligência  tecnologicamente preparada. Fanático inteligente é um perigo para a civilização. O terrorismo, por exemplo, que atua com a única meta de destruir inimigos aleatórios é realizado por indivíduos fanáticos cuja inteligência é instrumentada apenas para essa finalidade. No terrorismo é uma das expressões do fanatismo combinado com uma inteligência tecnológico, mas totalmente incapaz de exercitá-la por meios mais racionais, políticos e legais. Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destruição deve ser a única linguagem possível e a construção de um novo projeto político-econômico, não está em questão, porque a realidade no seu todo é forcluída.
O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de “ter sido escolhido por Deus para uma missão “x”, já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose. Mas, seguindo o raciocínio de Freud, vemos que “aquilo que o psicótico paranóico vivencia na própria pele, oparafrênico experiência na pele do outro”, ou seja, somos levados a supor que o fanatismo está mais para a parafrenia que para a paranóia. Hitler, antes considerado um paranóico, hoje é mais aceito enquanto parafrênico,  pois seus atos indicam sua idéia fixa pela supremacia da raça ariana e a eliminação dos “impuros”; mais ainda, o gozo psíquico do parafrênico não se limita “ser olhado” ou “ser perseguido”, tal como acontece com paranóicos, mas sim se desenvolve “uma ação inteligente de perseguição e extermínio de milhares de seres humanos”, donde extrai um quantum de gozo sádico. Portanto, deve existir membros de um grupo de fanáticos paranóicos, mas certamente o pior fanático é o determinado pela parafrenia, pois visa de fato destruir em atos calculados “os impuros”, “os infiéis”, enfim, todos os que não concordam com ele.
Hitler e seus comparsas usaram de inteligência para inventar e administrar a chamada “solução final” contra os judeus, porém, antes de ser este um fato criminoso era uma exigência interna de seu próprio psiquismo. Na parafrenia vigora a compulsão de observar e atuar o ser do Outro como alimentador de seu delírio interno. O parafrênico “faz acting out em nome de…” e jamais assume seu ato criminoso, pondo a responsabilidade em alguém que para ele encarna o “mal”. Para sua “lógica”, as vítimas são os únicos responsáveis. É curioso observar que ontem os judeus se agarravam ao sacrifício do holocausto como modo de explicação da tragédia em que eram vítimas, mas hoje a ultra direita israelense, no poder, parece resgatar dos nazistas essa terrível idéia da “solução final” contra os palestinos. “Quem lutou muito contra dragão, também vira dragão“, diz um antigo provérbio chinês.
Os fanáticos pela “solução final” dos judeus, no Julgamento de Nuremberg, não se consideravam culpados ou com remorsos pelo extermínio coletivo. Goering, considerado o segundo homem depois de Hitler, tentou se defender segundo o princípio de sua lealdade e fidelidade para com o Führer; “cumprira ordens” e “nenhuma vez ele se considerou um criminoso”. Eis a “razão cínica”: a culpa pelo genocídio era dos próprios judeus gananciosos por dinheiro, não de seus carrascos nazistas. Os israelenses da “era Sharon” também não se responsabilizam pelos atos criminosos de Israel contra os palestinos generalizados como terroristas.
Se no fanatismo o sujeito inexiste para dar lugar ao Senhor absoluto e maravilhoso, então faz sentido não assumir a sua própria responsabilidade, porque ela é “obra do Senhor” [Werk de herrn.] ”o Senhor quer que eu faça“, “foi a mão de Allah“, etc. São mais do que frases, são efeitos de uma poderosa “fantasia da eleição divina” [sic!] onde o sujeito é nadificado para dar lugar ao discurso delirante da salvação messiânica. O mundo fanático foi dividido entre “os eleitos” e os que continuam nas trevas e que precisam ser salvos ou serem combatidos por todos os meios, pois “são forças do mal”.
O famoso caso Schreber, analisado por Freud, que acreditava ter recebido um chamado de Deus para salvar o mundo, que lhe era transmitido por uma linguagem particular – só entre ele e Deus – , tornou-se o modelo psicanalítico para se pensar a relação loucura e fanatismo. Como já dissemos, o fanatismo é sustentado por sistema de crença delirante, psicótico, dominado por uma autoridade absoluta e invisível (Deus ou a causa da “supremacia da raça ariana”, ou a “missão do povo judeu”, ou “a Jihad islâmica”, “ou salvar o mundo do diabo”, enfim, um significante posto no lugar “absoluto” que comanda a ação do grupo fanático,etc). Segundo a psicanálise, isso poderia apontar para a hipótese de um “complexo paterno” de origem.
A leitura lacaniana fala de “um buraco no Nome-do-Pai, que produz no sujeito um buraco correspondente, no lugar da significação fálica, o que provoca nele, quando é confrontado com essa significação fálica, a mais completa confusão. É  isso que desencadeia a psicose de Schreber, no momento em que ele próprio é chamado a ocupar uma função simbólica de autoridade, situação à qual só teria podido reagir com manifestações alucinatórias agudas, às quais a construção de seu delírio iria pouco a pouco fornecer uma solução, constituindo, no lugar da metáfora paterna fracassada, uma “metáfora delirante”, destinada a dar um sentido àquilo que, para ele, era totalmente desprovido de sentido”.
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Os primeiros sintomas de fanatismo e suas estratégias de sedução
O início de qualquer fanatismo consiste, em primeiro, reconhecermos um sujeito ou grupo estarem convictos, quando julgam de posse de uma certeza que recusa o teste da realidade. Nietzsche dizia que “as convicções são piores inimigas da verdade do que as mentiras”, porque quem mente sabe que está mentindo, mas quem está convicto não se dá conta do seu engano. “Oconvicto sempre pensa que sua bobeira é sabedoria“. Até no campo científico, há cientistas correndo o perigo de tornar-seconvictos de suas teses. Edgar Morin analisa que quando algumas idéias se tornam supervalorizadas e adquirem um caráter de grandiosidade e absolutismo tendem a levar os seus sujeitos a abdicarem de seu raciocínio crítico e se tornarem meros objetos dessas idéias. Indivíduos assim submetidos a tão grandes idéias, fazem qualquer coisa para “salva-las” de um possível furo de morte; elas funcionam como muleta existencial. Isso acontece principalmente no meio religioso, mas também pode ocorrer nos meios político, filosófico  e científico.
segundo sinal do fanatismo é quando alguém quer impor a todos de modo tirânico a “verdade” única extraída de sua inspiração ou crença absoluta. Pretende assim a uniformização via linguagem, através de aparência física, rituais e slogans do tipo: “O único Deus é Allah”, “só Cristo salva”, “Jesus Cristo é o Senhor”, “somos o Bem contra o Mal”, “Em nome do Senhor Jesus eu ordeno…” São expressões de caráter estereotipado, sustentado por uma “estrutura de alienação do saber”, onde o discurso passa a falar sozinho, é uma resposta que está no gatilho, pronta para qualquer emergência que o sujeito não quer pensarObservem o caráter tirânico, narcisista e excludente dessas afirmativas. Todos possuem uma visão que nega outros modos de crer e pensar. O mesmo acontece nos auto-elogios das pessoas de raça branca e o desprezo pelas outras como proclamam os fanáticos da extrema direita, nas ações violentas de uma torcida sobre a outra, todos, sinalizam que o indivíduo se rende ao grupo e este “a causa”. Os recém convertidos de qualquer seita religiosa ou política estão sempre convictos que, finalmente, contemplam a verdade e essa tem que ser imposta a todos, custe o que custar.
O terceiro indicativo de fanatismo, já dissemos, é quando uma pessoa passa a colocar uma causa suprema (podendo esta ser justa ou delirante) acima da vida dela e dos outros.
Quarto, quando um indivíduo e/ou grupo se isolam da convivência familiar e social e adotam um modo de vida narcísico (no igual modo de vestir, de cortar ou não cortar o cabelo, no jeito de falar, nas regras de comer, na ritualística, etc), enfim, quando uniformizam seu discurso, gestos, postura, atitudes em geral e punem os que se recusam a seguir as regras impostas. Entrar para um grupo de fanáticos implica em renunciar: pai, mãe, os filhos, os amigos, o lugar onde viveu, o trabalho, enfim, os membros são persuadidos a matarem os vestígios simbólicos da vida anterior para fazer renascer a vida em outra base moral e de fé.
Quinto, quando o indivíduo e/ou grupo perdem o bom-senso na lógica da comunicação e nas ações do cotidiano. O discurso passa a ser repetitivo e estranho à vida comum.
O sexto indício de fanatismo é quando se perde o sentido de respeito e humanidade para com os diferentes, em nome de uma causa transcendente.
psicólogo francês, J-M. Abgrael, resume o método de doutrinação fanática em 3 etapas: 1osedução das pessoas para a “causa”;2odestruição da antiga personalidade, eliminação dos elos familiares, sociais e profissionais e 3oconstrução de uma nova personalidade “renascida” ou “renovada”, de acordo com o modelo e as regras da seita.  Geralmente essa passagem da vida normal para a vida “renovada”, há um ritual, algum tipo de batismo, onde se inicia a adoção de um novo nome, novos hábitos, apresentação de novas “famílias”. Sentir-se incluso num grupo “de irmãos” ou “de luta pela causa” “é como estar apaixonado; surge uma sensação maravilhosa, tudo passa a fazer sentido na vida, a pessoa se sente acolhida e imensamente alegre”. O indivíduo passa a se ver se modo especial, diferente dos demais para realizar a missão elevada; se vê inundado por um sentimento grandioso que Freud chama de “sentimento oceânico”. Imagine um indivíduo desesperado, desgarrado de seu grupo social, sem uma forte identidade psicossocial cuja vida perdeu o sentidoao ser acolhido em um grupo fanático, recebe mensagens confortadoras, do tipo: “nós amamos você”, “você é muito importante para o projeto de Deus”, “você faz parte de nossa vida”, “Deus te ama”, etc Diz P. Demo (2001) “o sentimento de ser amado, move o entusiasmo mais do de qualquer coisa”.
Faz parte da estratégia para atrair pessoas para novas seitas e igrejas, investir em programas produzidos para solitários que sofrem insônia e depressão nas madrugadas. Os desesperados sentem-se acolhidos com tais palavras mágicas e facilmente se sentem inclusos e maravilhados pela ilusão de nova vida e sentimento extremo de felicidade,  numa igreja em que o fanatismo é o seu ponto cego.
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Todo fanático é intolerante.
fanatismo é a intolerância extrema para com os diferentes. Um evangélico fanático é incapaz de diálogo e respeito para com um católico ou um budista. Um fanático de direita não quer diálogo com os de esquerda. Organizações como a Ku Klux Klan são intolerantes igualmente com negros adultos, mulheres e crianças. Por isso se diz que há em cada fanático um fascista camuflado, pronto para emergir em atos de exclusão e eliminação.
semiólogo e filósofo italiano, Umberto Eco, reconhece que o protofascismo está presente nos movimentos fanáticos. No campo político, não importa auto denominar-se de “esquerda” ou de “direita” pode existir um protofascismo. No fundo os atos terroristas são produzidos e sustentados por fanatismos de inspiração místico-fascista incapazes de diálogo ou argumento racional que esclarece sua causa objetiva. Não é sem sentido que os atos terroristas deixaram de dizer algo pela palavra e passaram a ser apenas o ato, o acting out.  S. P. Rouanet diz que “os terroristas são agentes de uma ideologia religiosa extrema direita … que funciona como ópio do povo…” (A coroa e a estrela, FSP, Mais!, 18/11/01)
O fascismo, tanto o de Estado dos fundamentalistas religiosos, como o que está pulverizado nos atos do cotidiano das relações humanas, é fanático porque desrespeita, desconsidera, é intolerante quanto ao modo de ser, pensar e agir do outro, é tradicionalista-fundamentalista.  Enquanto o fascista “quer o poder pelo poder”, há o fanático “autêntico” que anseia dominar o mundo com sua crença, e o “fanático terrorista” que “deseja apenas destruir a estrutura de sustentação do inimigo”. Mas, ambos, o fascismo e o fanatismo não são compatíveis com a democracia. Ambos pregam intolerância multirreligiosa, a intolerância multicultural e multirracial e usam o espaço de liberdade democrática para espalhar o seu ódio e sua crença.
sentimento que no fundo sustenta o fanatismo e o fascismo não é a fé, nem o amor [Eros], mas o ódio [Thanatos] e a intolerância.O desejo do fanático “autêntico” é dominar o mundo com seu sistema de crença cheio de certeza. No plano psíquico, o lugar do recalque torna-se depósito de ódio e desejo de eliminar todos os que atrapalham o seu ideal de sociedade. Certa dose de paciência doutrinada o faz esperar-agindo para que a “idade de ouro puro” possa um dia acontecer.
São tão fanáticos os terroristas-suicidas muçulmanos como os fundamentalistas cristãos norte-americanos que atacam clínicas de abortos, perseguem homossexuais, proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin, obrigando aos professores ensinarem a doutrina criacionista tal como está na Bíblia, ou ainda, os protestantes da Irlanda do Norte que atacam crianças católicas ou os bascos que querem ser um país independente a qualquer preço, por meio do terror.
Alguns personagens “messiânicos” de nosso tempo, como Hitler, Idi Amin, Reagan, G. W. Bush, Sharon, os grupos dos martírios suicidas do Oriente Médio, entre outros, tem algo em comum: cada um se sente o escolhido para cumprir uma especial missão. Hitler discursou que “as lágrimas da guerra preparariam as colheitas do mundo futuro”. G. Bush, na sua ânsia de guerra contra o ditador S. Hussein, não estaria delirando no mesma linha ? Não é sem sentido que os EUA, tem sido o solo fértil de seitas cristãs fanáticas. Uma delas, A Casa dos Filhos de Jeová, torce para o mundo se acabar logo, porque seus membros acreditam que depois surgirá uma nova civilização do Bem.
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Fanáticos e suicidas carecem de humor
fanatismo parece ser uma doença contagiosa, pois tem o poder de atrair adeptos geralmente em crise profunda de vida pessoal. Fanáticos e suicidas tem em comum a falta de humor e o desapego pela própria vida. A certeza cega tira-lhes o humor e os colocam no caminho do sacrifício místico.
O escritor e pacifista israelense, Amós Oz, numa carta ao escritor japonês Kenzaburo Oe, Prêmio Nobel de 1994, escreve ter encontrado a “cura para o fanatismo”: o bom humor. Diz que: “nunca vi um fanático bem-humorado, nem alguém bem-humorado se tornar fanático”. Oz imagina uma forma mágica de prevenir o fanatismo: um novo tipo de messias que “chegará rindo e contando piadas”.
Emil Cioran, um filósofo amargo e pessimista, vê nas atitudes dos céticos, dos preguiçosos e dos estetas, os únicos que verdadeiramente estão a salvo do fanatismo. Já os religiosos estreitos, os políticos sectários, os dogmáticos que habitam em todas as áreas do conhecimento, tendem ao fanatismo com seus instrumentos próprios. O fanática jamais se pensa ser fanático .
Enfim, é preciso estarmos atentos e preparados para resistir os apelos do fanatismo que como erva daninha não escolhe lugar para germinar e se alastrar. Os grupos fanáticos exercem um atrativo para os indivíduos que possuem uma estrutura psíquica vulnerável, os desesperados, os desgarrados, os avessos ao espírito crítico ou predispostos à crendice, ao desejo de encontrar uma certeza e a se “contentar-se com pouco” na terra, porque ele tem certeza de que ganhará na suposta vida após a morte. Tanto o fanatismo como a guerra estão entre as situações que se encontram na contramão da sabedoria.
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Para prevenção do fanatismo
Freud, como pensador evolucionista, pensava que só quando a civilização ascendesse à maturidade psíquica é que descartaria os mecanismos infantis ou alienantes cuja matriz é a religião. Segundo o fundador da psicanálise, a religião infantiliza as pessoas e as arrasta ao delírio de massa. O homem não poderia viver nesse estado de infantilismo para sempre, daí a urgente necessidade de um projeto de uma “educação para a realidade“, que fortaleceria a vida intelectual, facilitando o acesso de todos ao conhecimento científico, por ser este verdadeiro. Ademais, a religião não fez e nem faz as pessoas felizes, mas, dá-lhes uma ilusão de felicidade; sem dúvida, ela tem o poder de controla os impulsos primitivos psicossexuais e proporciona alguma direção moral, que costuma ir além do necessário, ou seja, reprimindo o potencial criativo ou de prazer genuíno das pessoas.
Amós Oz, o escritor pacifista, sugere a criação de escolas em todo o mundo da disciplina “fanatismo comparado“. Tal disciplina não apenas serviria para entender os fanatismos: religioso, nacionalista, racial, político, desportivo, mas também outros que passam desapercebidos, como o “antitabagista” que poderia queimar os que fumam, o “vegetariano” que comeria vivo quem come carne, “o ecologista” que prefere salvar as baleias às pessoas famintas, etc. Uma disciplina como essa, teria uma função mais queeducativa, teria uma preocupação preventiva quanto a possibilidade de “contágio” social do fanatismo, já que pode-se pegá-lo ao tentar curar alguém desse mal.
.Texto extraído de www.espacoacademico.com
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Entrevistamos o Prof. Dr.  Sivio Mmax; Antropólogo e Professor na Universidade do Sagrado Coração – USC, de Bauru no interior de São Paulo:
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Silvio, como se define antropologicamente o fanatismo religioso?
Trata-se de um fenômeno estudado mais especificamente pela Sociologia e pela Psicologia da Religião do que propriamente pela Antropologia. Emprestando noções de outras ciências, podemos arriscar afirmando que o fanatismo religioso é uma síndrome que afeta a percepção e o julgamento do sujeito, que passa a rejeitar toda e qualquer ideia ou comportamento que não se adequa a um modelo ou interpretação religiosa em particular.  Assim, toda instituição ou pessoa divergente ou que não se amolda ao conceito eleito como absolutamente verdadeiro, passa a ser visto como inimigo e, portanto, digno de ser combatido. O fanatismo enquanto comportamento, não é típico de uma religião em particular, mas pode afetar seguidores de qualquer religião ou até mesmo membros de agremiações esportivas ou político-partidárias.
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Por qual motivo  algumas crenças aplicam o método da repetição em seus fiéis, incentivando-o, desde pequeno, a dizer que sabe que aquela instituição é verdadeira?
Esse processo é meio do qual um conjunto de valores e crenças pode ser introjetado na psique de um grupo de pessoas. Deste modo, o sujeito assume como próprios os conceitos e valores transmitidos pelo grupo. Uma coisa é certa: quanto mais nova for a pessoa, mais susceptível ela será a esses valores, crenças e ideologias, pois seu senso crítico ainda não está plenamente desenvolvido. 
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 Esse método prende o fiel impedindo que ele crie dúvidas acerca da veracidade daquela crença?
Em geral, a pessoa desenvolve uma tolerância a todos os preceitos ideológicos do grupo, evitando criticá-los, pois isso colocaria em “xeque” suas próprias crenças, além de causar mal estar e reprovação de seus líderes e demais companheiros que também fazem parte do mesmo grupo. O sujeito muitas vezes não exerce sua capacidade reflexiva porque parte do princípio de que seu líder conhece a verdade ou porque ele tem algum tipo de acesso privilegiado à “vontade divina”, o que colocaria essa pessoa em condição legítima de interpretar essa mesma vontade, ditando assim as regras para o comportamento do restante do grupo.
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Como a antropologia explica esse fenômeno?
Do ponto de vista estritamente antropológico, podemos dizer que o fanatismo e o fundamentalismo religiosos tem suas raízes no etnocentrismo, que faz o sujeito acreditar que sua cultura, seus crenças e valores são melhores, superiores ou mais verdadeiros que as crenças e valores de outros grupos ou etnias.
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Esse comportamento é destrutivo? É capaz de criar algum “monstro”?
O fanatismo geralmente apresenta desdobramentos nefastos como exclusão social, vandalismo e violência simbólica ou física contra um indivíduo ou contra grupos inteiros. O sujeito passa a apresentar comportamento irracional, intolerante, passa a ser susceptível a vários tipos de racismos, preconceitos e fundamentalismos, o que dificulta sua convivência harmoniosa com pessoas de grupos culturalmente distintos. 
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“Eu sei que esta igreja é verdadeira”
O “testemunho”, para muitos membros da igreja Mórmon, é alcançado por meio de uma oração, logo após das primeiras visitas de um missionário da igreja. Se você sentir um “frio na barriga”, é um sinal de que toda aquela instituição é verdadeira. Eles baseiam toda fé, toda a história, toda a doutrina, mediante ao sentimento “alegre e feliz” que sentiram no início; nenhuma duvida, nenhuma questão pode ser lançada em debate, nada que quebre a coroa de vidro dos reis e rainhas desse conto de fadas. Por pensarem ter esse contato direto com o próprio divino, atacam livremente quem descorda ou mesmo quem colocar em dúvida toda aquela “santidade”. As imagens de comentários apresentadas ao longo da postagem mostram a tamanha agressividade de algumas pessoas, que abrem barreiras do limite e do bom senso, a ponto de criar ameaças pessoais e físicas. Esta série mostra o poder destrutivo do “testemunho”, da fé cega do poder imaginário que pode causar danos destrutivos. Criando monstros em nome da fé.
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Referências bibliográficas
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KILLER CULTS. Documentário dirigido por Catherine Berthillier e Bernard Vaillot. France 3 – canal Vie, 1998.
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ZUSMAN, W. Terrorismo: um bolo em camadas. Vértice-revista virtual de psicanálise. out/ 2001.
* Imagens retiradas a partir de cópias de comentários de membros da igreja SUD na página da nossa comunidade no facebook – Todos os direitos reservados ao www.humorexmormon.com
Agradecimentos:
Prof. Dr. Silvio Mmax
www.espacoacademico.com
 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Aluno ateu diz que foi perseguido por não rezar na aula

A atitude de uma professora que repreendeu um aluno ateu após ele permanecer em silêncio durante uma oração feita por ela causou polêmica em uma escola estadual de Minas Gerais. A informação é da reportagem de Ricardo Gallo publicada na edição desta terça-feira da Folha (a reportagem completa está disponível a assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
O caso ocorreu há duas semanas na escola estadual Santo Antonio, em Miraí, cidade de 13,8 mil habitantes que fica na Zona da Mata, a 335 km de Belo Horizonte.
Quem discutiu com a professora de geografia foi Ciel Vieira, 17, ateu há dois anos. "Eu disse que o que ela fazia era impraticável segundo a Constituição. E a professora disse que essa lei não existia".
Ao notar a reação do estudante, ela lhe disse, segundo o relato do aluno, que "um jovem que não tem Deus no coração nunca vai ser nada na vida". O aluno se irritou, os dois discutiram, e o caso foi parar na diretoria da escola. O garoto gravou parte da oração e pôs no YouTube.
Lila Jane de Paula, a docente, não quis falar com a reportagem. Procurada, a Secretaria de Estado da Educação informou que a professora foi orientada a não rezar mais dentro da classe.



VEJA VÍDEO FEITO PELO ALUNO:




Fonte: Folha de São Paulo