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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O despertar da Igreja do Reich Evangélico

AVISO: Este artigo muito interessante foi pego de um outro blog evangélico. Sua opinião maluca quanto a Governo Mundial, Baha'u'llah ou Fé Cristã não expressa a opinião deste blogueiro, sendo de crédito único e exclusivo do autor desta matéria.


Cortesia da carta: Ondashiz - Blog "A Verdade Especulada"
 
Império Religioso – “A parte inferior desta carta diz: “Este grupo pode interferir em qualquer ataque privilegiado realizado por (ou feito com a ajuda de) qualquer grupo Íntegro ou Conservador. Se ele fizer isso, o ataque não é mais privilegiado.”
 A recente briga por fiei$ entre a IURD do bispo abortista e a IMPD do seu ex-discípulo,  o “apóstolo” Valdemiro,  é um exemplo de como a igreja da nova era está sendo criada.
A palavra reich vem da expressão alemã “Reichskirche” que significa a igreja do império. Durante a criação da igreja nazista, a igreja evangélica alemã esteve presente e adotou a liderança carismática como estratégia de controle espiritual das massas. Embora essa liderança tenha sido praticada no regime fascista de Benito Mussolini na Itália, ela foi incorporada ao nazismo.
(Paradas dos Deutsche Christen-protestantes nazistas)
 Infelizmente, a oratória de Hitler está muito presente em algumas igrejas evangélicas através de seus mega líderes. Os principais pontos para empolgar as massas continuam sendo os mesmos, como: pausa durante as frases, firmeza no que está sendo falado e a entonação em voz mais alta em um determinado ponto do discurso (aqui chamamos de pregação do evangelho falsificado). A conseqüência disso é o aplauso das massas empolgadas movidas pela emoção do pregador.
 Abaixo temos um discurso de Hitler como exemplo. Se observarmos como esses mega líderes pregam, veremos que a forma é a mesma. Hitler fala de forma pausada e lenta dos 0:50 aos 1:45, e logo em seguida arranca aplausos. Aos 1:58 ele aumenta a entonação (fala praticamente gritando) e o povo que está mais idiotizado bate palmas mais longas aos 2:16.

 Nesse outro vídeo temos o Pr. Marco Feliciano que também entrou nessa guerrinha estúpida para conseguir algumas ovelha$ da IURD. Ele usa a mesma técnica de Hitler. Primeiro ele começa falando de forma quase natural e arranca aplausos (0:16 do vídeo). Logo em seguida aumenta (fala gritando mesmo) a entonação e recebe aplausos bem mais fervorosos (0:43 do vídeo) . Ora, se de fato esse ser quisesse se comportar como cristão era só ter falado de forma natural. E o pior de tudo é que essa técnica fascista de oratória é amplamente ensinada nas escolas de pastores.

 O fascismo se infiltrou no meio evangélico para ter o controle total das massas através de seus líderes; mas agora na ordem mundial de Baha’u’llah, através de seu executivo mundial, a tendência é que esse pessoal seja totalmente fiel ao governo mundial e acabe colocando em prática uma das diretrizes da igreja dos nazis descrita abaixo:
  “ 5. A Igreja Nacional se dispõe a exterminar irrevogavelmente (…) as crenças cristãs estranhas e estrangeiras trazidas para a Alemanha no malfadado ano de 800.”
 Entende-se por extermínio de cristãos aqueles que serão deixados para trás e vão se opor ao  falso reino de deus na terra, que virá através da economia verde. Isso acontece para que se cumpra a palavra de DEUS descrita abaixo:
 ”E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho; e levantar-se-ão os filhos contra os pais, e os farão morrer.”  (Marcos 13 : 12)
 O fascismo evangélico já está enraizado em muitas pessoas, pois não adianta denunciar ou revelar os poderes desses mega líderes, que muitos os seguirão até o abismo do inferno. E se alguém contrariar estará infringindo a famosa lei que diz: “não toque no ungido do senhor”, sendo que esses jamais receberam uma unção e não passam de enganadores:
 ”E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.”  (II Pedro 2 : 1)
 Ora, se eles estão negando a CRISTO? Isso já acontece faz tempo. Basta olhar para a Teologia da Prosperidade, a Teologia da Cura e outras mais.
 Se eles são fiéis à ordem mundial de Baha’u’llah? Basta voltar no tempo e olhar para a famosa unção do nove criada por Malafaia e Cerullo.

Mais informação sobre a "igreja de Hitler" aqui.

sábado, 13 de outubro de 2012

Seita de 'profeta' que previa fim do mundo daria bebida com sangue de rato envenenado a seguidores

TERESINA - O chefe de Investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente do Piauí, Joattan Gonçalves, informou que a Polícia Civil está investigando a veracidade do depoimento de uma testemunha de que o ex-vigilante de condomínio Luís Pereira dos Santos, de 43 anos, conhecido como profeta, usava sangue de ratos envenenados para fazer uma substância usada para curar doenças das pessoas que faziam parte da seita nos últimos quatro anos. O ex-vigilante pregava que o apocalipse seria às 16h da última sexta-feira. Terminou preso dez minutos antes do horário previsto por ele para o fim do mundo.
Segundo Joattan Gonçalves, que está na investigação porque menores fariam parte da seita, o depoimento foi dado pelo marido de uma mulher que aderiu ao grupo comandado por Luís. O homem afirma que os ratos eram envenenados e depois tinham o sangue colhido para fazer a substância. Ainda segundo ele, duas pessoas da seita morreram, após terem consumido a substância para curar doenças.
Joattan Gonçalves disse que a polícia vai investigar o caso e, se forem comprovadas as mortes, será aberto inquérito para que o ex-vigilante responda pelo crime de homicídio culposo. A polícia, no entanto, ainda trata o assunto com cautela, por medo de o depoimento não ser verdadeiro.
- Nesse caso, nós estamos falando de pessoas lunáticas e temos a dificuldade de diferenciar a verdade da mentira, mas vamos investigar as supostas mortes porque realmente encontramos veneno de rato na casa onde estavam as pessoas da seita - declarou Joatan Gonçalves.
Ele informou que a testemunha declarou que a substância feita com sangue de rato envenenado seria dada aos fiéis da seita às 16h da sexta-feira, horário marcado pelo profeta como o fim do mundo. Joattan Gonçalves disse que depoimentos de integrantes da família de adeptos da seita, de que seus parentes ainda não chegaram em casa e estão desaparecidos, está preocupando a polícia.
'Profeta' diz que foi castigado
Gonçalves disse que, durante depoimento na Central de Flagrantes, o profeta Luís Pereira dos Santos disse que Deus o tinha castigado.
- Deus me castigou porque não acabou o mundo, como tinha me anunciado há anos - declarou o profeta Luís Pereira.
Em seu depoimento, o ex-vigilante disse ainda que vai continuar pregando a palavra de Deus e que acredita no juízo final. Ele declarou que há anos anos um anjo o procurou dizendo que o mundo iria se acabar às 16h de 12 de outubro de 2012 e que ele tinha que preparar as pessoas de coração puro para que fossem arrematadas no juízo final.
A casa do ex-vigilante continua fechada e com segurança feita por policiais militares. Na manhã deste sábado, alguns adeptos da seita pediram para a policia retirar motocicletas e outros bens que estão dentro da residência.
Seguidora não está arrependida de ter acreditado no fim do mundo
O soldado Francisco Alves, da Policia Militar, disse que na casa estavam apenas alguns policiais para fazer a segurança e para evitar depredação do imóvel, mas só a equipe de Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone) podiam entrar e retirar os bens dos fiéis.
Uma das seguidoras da seita, Maria das Graças Silva, declarou disse que não está arrependida de ter acreditado no fim do mundo e que vai continuar seguindo o profeta:
- Vamos continuar seguindo ele, porque ele só faz coisas de Deus, ele curou pessoas que estavam nas ruas viciadas em drogas, que só faziam coisas erradas, ele nunca incentivou o consumo de drogas e álcool e nem a prostituição, ele tirou as pessoas que faziam isso na rua e levou para o caminho de Deus.

(Fonte: Yahoo!, via Agência O Globo)

Nota do Meow: O cara liderava uma seita bizarra, de beber sangue de rato envenenado, foi preso, e ainda tem gente que vai continar seguindo o louco... Esse sangue de rato com estricnina deve dar um barato louco, hein?
PORRA MEU! será que Einstein estava mesmo certo, quando disse "Há duas coisas que são infinitas, o Universo e a Estupidez Humana; e ainda não estou certo quanto ao Universo"?
É por isso que chupins como Silas malafaia, Edir Macedo, Valdemiro Santiago e R. R. Soares, além de muitos outros "Tubarões da Fé" enchem o RABO de dinheiro e riem da desgraça dos próprios fiéis!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Enganação Gospel



"E eles dizem que você está com o demônio
Mas o demônio habita no seu patrimônio
E eles farão o "favor" de tomar toda sua grana
Porque a grana pra eles é uma coisa profana
Só que aí o demônio vai parar com quem?
No bolso do Pastor e do Bispo tambem"


FDP³, Gabriel o pensador.



Se você é religioso e adora ser enganado, pule esse post, sim, isso mesmo vá para outro post, porque esse aqui é o retrato da minha indignação com algumas entidades religiosas que só existem pra fazer você de trouxa!!!


1.      Os produtos DT: O gel André Valadão, o protetor solar Nívea Soares e o sabão em pó Ana Paula Valavando.



Se não basta ser fã, é necessário usar os produtos únicos do Diante do Trono. Seu cabelinho será igual ao do André, sua pele tão macia como a da Nívea, e você ainda sairá com vestes alvas como a neve usando o Valavando. Mas caso você queira mesmo se identificar com seu ídolo, seja como os...

2.      Valentes do Apóstolo Estevam:



Se antes as vigílias eram feitas para que as pessoas se tornassem valentes e vigorosas espiritualmente para levar o Evangelho ao mundo, agora elas servem como um “treinamento de segurança” para o rei da Renascer (risos). Aliás, nesses movimentos ultimamente tem aparecido de tudo. Há, inclusive, lugar para “extravasar” no Espírito, como acontece na...

3.      Escola do Sobrenatural:



Um lugar onde tem transes, êxtases, arrebatamentos (pra onde?), embriaguez no Espírito (qual Espírito? 1 Tm 4.1), só pode acontecer de tudo sobrenatural. Resta saber qual é a fonte de onde se tira essas porções alucinógenas que o pessoal bebe. Provavelmente, deve ser da...

4.      Gruta Milagrosa do Pai Eterno:



Mas o pai eterno não é o Senhor, como eu poderia pensar, e sim do mestre Camilo, o dono da caverna, que diz que cura todas as dores. O problema é que ele só não está amparado com “tecnologias humanas” tão avançadas como o...

5. Raio-X do missionário Ezequiel Pires:



Dá até medo quando vejo essas coisas. Quando uma pessoa diz que tem o raio-X de Deus nos olhos, suplantando a Palavra (Hb 4.12) e o próprio Deus (Sl 44.21), que veem o interior das pessoas, chega a assustar. Pior é se ele for um...

6. Revelador de nomes:




Coitados dos crentes com pecados ocultos. Com uma visão de raio-X e com a revelação de nomes, todas as sandices praticadas serão expostas, para a vergonha dos que as praticaram. Só tem um jeito, que é partir para o...

7. Clamor no interior do peixe:



Esqueça a igreja, o altar ou qualquer outro lugar. Lugar para pecador castigado é dentro do peixe, como Jonas. Meu Deus! Não é à toa que a Palavra de Deus diz que “Deus fez ao homem reto, mas eles buscaram muitas astúcias” (Ec 7.29). Quer um exemplo? Os homens agora estão...

8. Trazendo a Arca e Recosturando o Véu:



Tudo o que Jesus fez na cruz não foi o suficiente? A graça revelada não bastou para os cristãos? Para esses aí, não. É necessário trazer a arca para os dias atuais? Biblicamente não. Esse negócio de trazer a arca de volta, por sinal, já é moda antiga, mas há também o...

9. Chifre de Cordeiro para Unção:



Para esses judaizantes, não é necessária a unção do Espírito. Agora eles trazem direto de Israel chifres de cordeiro para “untar” os desprevenidos. Não dá para aceitar essas coisas. Isso nos cansa. Eu mesmo cansei desses amuletos gospel, cansei dos falsos profetas, cansei do evangelho superficial... cansei de mais o quê, mesmo?

10. Cansei de ser pobre:


11. Os 7 segredos para o homem ficar rico:






E isso, segundo a administração de Jesus. Sim, do próprio Mestre, que, quando esteve na terra, disse que não tinha sequer um lugar para reclinar a cabeça (Mt 8.20). Claro que a Bíblia não proíbe ser rico, mas também não avaliza a avareza. Paulo, por sinal, não fez menção do dom “de adquirir riqueza” ou coisa do tipo quando escreveu aos Coríntios.

Fonte: Sinistro Ao Extremo

sábado, 30 de junho de 2012

EU SEI: O domínio silencioso do fanatismo




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“…todos os crentes parecem escandalosos e indiscretos: procura evitá-los” (Nietzsche)
Em nossa época, supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo, vem do latim fanaticus, quer dizer “o que pertence a um templo”, fanum. O indivíduo fanático  ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um líder mundano, uma causa suprema ou uma fé cega. O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais  que visa  servir à um ser  poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo demônio”, “combater as forças do Mal” ou “salvar a humanidade” do caos.
Tendo origem no dogma religioso, o fanatismo não se restringe a esse campo único; existe fanatismo por uma raça, um time de futebol, por um partido político, sobretudo por ideologias revolucionárias quando extrapolam a dimensão racional, sentindo-se guiada pela “fantasia da escolha divina”.  Foi fanatismo religioso que fez muitos seguirem Jin Jones (Templo do Povo), Asahara (Verdade suprema), David Koresh (Ramo davidiano), Jo Dimambro (Templo Solar) e tantos outros místicos ou charlatães que terminaram causando tragédias coletivas, noticiadas no mundo todo. A história conheceu também os histerismos coletivos da “caça as bruxas”, a perseguição aos negros, índios, comunistas, homossexuais, prostitutas.  O movimento da Jihad islâmica contra os “infiéis do ocidente” e a “guerra aos terroristas” do ocidente cristão, demonstram que o fanatismo está vivo e atuante em nossa época supostamente “científica” e “tecnológica”. Precisamos admitir que, a história da humanidade é também a história dos vários fanatismos dominando grupos humanos, sempre com conseqüências trágicas. Esse pedaço da história renegado nos causa vergonha, medo e sinalizam alertas para possíveis efeitos negativos no rumo da civilização.
Como dissemos, o fanatismo atua para além do efeito religioso, mas não extrapola ao campo ideológico como um todo. Há fanatismo entre crentes de todo o tipo, do menos ao mais irracional. Mas, não existe fanatismo racional, em que pese o fato de um certo tipo de razão (instrumental, cínica, etc) também ter cometidos os seus desatinos e crimes. Assim, para o fanático religioso, não basta adorar um Deus visto como Senhor absoluto, é necessário ser soldado dele na terra, lutar pela causa superior, pregar, exorcizar, forçar os “infiéis” ou “divergentes” à conversão absoluta, à qualquer preço. O fanático está sempre disposto a dar provas do quanto sua causa suprema vale mais do que as próprias vidas: dele, de sua família ou mesmo de toda a humanidade. Ele mata por uma idéia e igualmente morre por ela.
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Os sintomas do fanatismo
Os sintomas do fanatismo, em grupo, são: orações, privações, peregrinações, jejum, discursos monológicos e martírios que podem terminar com o sacrifício da própria vida visando salvar o mundo das “trevas” ou do que ele entende ser “o mal”.
O fanático não fala, faz discursos; é portador de discursos prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso ou a inculcaçãopolítica de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento, tomado sempre como revelação da “ira de Deus” ou “a inevitável marcha da história” ou, ainda, a suposta “superioridade de uns sobre os demais”. Faz discursos e não fala, porque enquanto a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo, da dialética, do discernimento da verdade, os discursos - especialmente odiscurso fanático - fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo divinizado; servir ao desejo divino e à produção da repetição de algo já pronto, onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego) um porta-voz de um sistema de crenças moralistas carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o Bem.
Os textos sagrados, tomados literalmente, fornecem a sustentação “teórica” do discurso fundamentalista religioso; com ele, o indivíduo acredita, a priori, estar de posse de toda a verdade e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas, como confrontar com outro ponto de vista, ou desvelar outro sentido de interpretação, ou ainda, contextualizá-lo, etc. O fanático tem certezae isso lhe basta. Creio porque é absurdo, já dizia Tertuliano. Certeza para ele é igual a verdade. (Segundo Popper, no campo científico, a certeza nada vale porque é “raramente objetiva: geralmente não passa de um forte sentimento de confiança, ou convicção, embora baseada em conhecimento insuficiente”, já a verdade tem estatuto de objetividade, na medida em que “consiste na correspondência aos factos”, na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação. (Popper, 1988, p. 48).
O problema da religião não é a paixão “fé”, mas a inquestionalidade de seu método. O método de qualquer religião traz uma certezadivulgada em forma de monólogo, jamais de diálogo ou debate de idéias. O pastor, padre, rabino, ou qualquer pregador de rua, vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação; acreditam que “vale tudo” para difundir a “verdade única” que o tocou e o transformou para sempre! O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante, declarações, comunicados, que jamais se voltam para escuta ou o diálogo, exercício esse que faria emergir a verdade – não a “certeza”.
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Psicopatologia do fanatismo
Do ponto de vista psicopatológico, todo fanatismo parece ter relação com a fuga da realidade.  A crença cega ou irracional parece loucura quando se manifesta em momentos ou situações específicas, porém se sua inteligência não está afetada, o fanático aparentemente é um sujeito normal. No entanto, torna-se um ser potencialmente explosivo, sobretudo se o fanatismo se combinar com uma inteligência  tecnologicamente preparada. Fanático inteligente é um perigo para a civilização. O terrorismo, por exemplo, que atua com a única meta de destruir inimigos aleatórios é realizado por indivíduos fanáticos cuja inteligência é instrumentada apenas para essa finalidade. No terrorismo é uma das expressões do fanatismo combinado com uma inteligência tecnológico, mas totalmente incapaz de exercitá-la por meios mais racionais, políticos e legais. Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destruição deve ser a única linguagem possível e a construção de um novo projeto político-econômico, não está em questão, porque a realidade no seu todo é forcluída.
O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de “ter sido escolhido por Deus para uma missão “x”, já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose. Mas, seguindo o raciocínio de Freud, vemos que “aquilo que o psicótico paranóico vivencia na própria pele, oparafrênico experiência na pele do outro”, ou seja, somos levados a supor que o fanatismo está mais para a parafrenia que para a paranóia. Hitler, antes considerado um paranóico, hoje é mais aceito enquanto parafrênico,  pois seus atos indicam sua idéia fixa pela supremacia da raça ariana e a eliminação dos “impuros”; mais ainda, o gozo psíquico do parafrênico não se limita “ser olhado” ou “ser perseguido”, tal como acontece com paranóicos, mas sim se desenvolve “uma ação inteligente de perseguição e extermínio de milhares de seres humanos”, donde extrai um quantum de gozo sádico. Portanto, deve existir membros de um grupo de fanáticos paranóicos, mas certamente o pior fanático é o determinado pela parafrenia, pois visa de fato destruir em atos calculados “os impuros”, “os infiéis”, enfim, todos os que não concordam com ele.
Hitler e seus comparsas usaram de inteligência para inventar e administrar a chamada “solução final” contra os judeus, porém, antes de ser este um fato criminoso era uma exigência interna de seu próprio psiquismo. Na parafrenia vigora a compulsão de observar e atuar o ser do Outro como alimentador de seu delírio interno. O parafrênico “faz acting out em nome de…” e jamais assume seu ato criminoso, pondo a responsabilidade em alguém que para ele encarna o “mal”. Para sua “lógica”, as vítimas são os únicos responsáveis. É curioso observar que ontem os judeus se agarravam ao sacrifício do holocausto como modo de explicação da tragédia em que eram vítimas, mas hoje a ultra direita israelense, no poder, parece resgatar dos nazistas essa terrível idéia da “solução final” contra os palestinos. “Quem lutou muito contra dragão, também vira dragão“, diz um antigo provérbio chinês.
Os fanáticos pela “solução final” dos judeus, no Julgamento de Nuremberg, não se consideravam culpados ou com remorsos pelo extermínio coletivo. Goering, considerado o segundo homem depois de Hitler, tentou se defender segundo o princípio de sua lealdade e fidelidade para com o Führer; “cumprira ordens” e “nenhuma vez ele se considerou um criminoso”. Eis a “razão cínica”: a culpa pelo genocídio era dos próprios judeus gananciosos por dinheiro, não de seus carrascos nazistas. Os israelenses da “era Sharon” também não se responsabilizam pelos atos criminosos de Israel contra os palestinos generalizados como terroristas.
Se no fanatismo o sujeito inexiste para dar lugar ao Senhor absoluto e maravilhoso, então faz sentido não assumir a sua própria responsabilidade, porque ela é “obra do Senhor” [Werk de herrn.] ”o Senhor quer que eu faça“, “foi a mão de Allah“, etc. São mais do que frases, são efeitos de uma poderosa “fantasia da eleição divina” [sic!] onde o sujeito é nadificado para dar lugar ao discurso delirante da salvação messiânica. O mundo fanático foi dividido entre “os eleitos” e os que continuam nas trevas e que precisam ser salvos ou serem combatidos por todos os meios, pois “são forças do mal”.
O famoso caso Schreber, analisado por Freud, que acreditava ter recebido um chamado de Deus para salvar o mundo, que lhe era transmitido por uma linguagem particular – só entre ele e Deus – , tornou-se o modelo psicanalítico para se pensar a relação loucura e fanatismo. Como já dissemos, o fanatismo é sustentado por sistema de crença delirante, psicótico, dominado por uma autoridade absoluta e invisível (Deus ou a causa da “supremacia da raça ariana”, ou a “missão do povo judeu”, ou “a Jihad islâmica”, “ou salvar o mundo do diabo”, enfim, um significante posto no lugar “absoluto” que comanda a ação do grupo fanático,etc). Segundo a psicanálise, isso poderia apontar para a hipótese de um “complexo paterno” de origem.
A leitura lacaniana fala de “um buraco no Nome-do-Pai, que produz no sujeito um buraco correspondente, no lugar da significação fálica, o que provoca nele, quando é confrontado com essa significação fálica, a mais completa confusão. É  isso que desencadeia a psicose de Schreber, no momento em que ele próprio é chamado a ocupar uma função simbólica de autoridade, situação à qual só teria podido reagir com manifestações alucinatórias agudas, às quais a construção de seu delírio iria pouco a pouco fornecer uma solução, constituindo, no lugar da metáfora paterna fracassada, uma “metáfora delirante”, destinada a dar um sentido àquilo que, para ele, era totalmente desprovido de sentido”.
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Os primeiros sintomas de fanatismo e suas estratégias de sedução
O início de qualquer fanatismo consiste, em primeiro, reconhecermos um sujeito ou grupo estarem convictos, quando julgam de posse de uma certeza que recusa o teste da realidade. Nietzsche dizia que “as convicções são piores inimigas da verdade do que as mentiras”, porque quem mente sabe que está mentindo, mas quem está convicto não se dá conta do seu engano. “Oconvicto sempre pensa que sua bobeira é sabedoria“. Até no campo científico, há cientistas correndo o perigo de tornar-seconvictos de suas teses. Edgar Morin analisa que quando algumas idéias se tornam supervalorizadas e adquirem um caráter de grandiosidade e absolutismo tendem a levar os seus sujeitos a abdicarem de seu raciocínio crítico e se tornarem meros objetos dessas idéias. Indivíduos assim submetidos a tão grandes idéias, fazem qualquer coisa para “salva-las” de um possível furo de morte; elas funcionam como muleta existencial. Isso acontece principalmente no meio religioso, mas também pode ocorrer nos meios político, filosófico  e científico.
O segundo sinal do fanatismo é quando alguém quer impor a todos de modo tirânico a “verdade” única extraída de sua inspiração ou crença absoluta. Pretende assim a uniformização via linguagem, através de aparência física, rituais e slogans do tipo: “O único Deus é Allah”, “só Cristo salva”, “Jesus Cristo é o Senhor”, “somos o Bem contra o Mal”, “Em nome do Senhor Jesus eu ordeno…” São expressões de caráter estereotipado, sustentado por uma “estrutura de alienação do saber”, onde o discurso passa a falar sozinho, é uma resposta que está no gatilho, pronta para qualquer emergência que o sujeito não quer pensar. Observem o caráter tirânico, narcisista e excludente dessas afirmativas. Todos possuem uma visão que nega outros modos de crer e pensar. O mesmo acontece nos auto-elogios das pessoas de raça branca e o desprezo pelas outras como proclamam os fanáticos da extrema direita, nas ações violentas de uma torcida sobre a outra, todos, sinalizam que o indivíduo se rende ao grupo e este “a causa”. Os recém convertidos de qualquer seita religiosa ou política estão sempre convictos que, finalmente, contemplam a verdade e essa tem que ser imposta a todos, custe o que custar.
O terceiro indicativo de fanatismo, já dissemos, é quando uma pessoa passa a colocar uma causa suprema (podendo esta ser justa ou delirante) acima da vida dela e dos outros.
Quarto, quando um indivíduo e/ou grupo se isolam da convivência familiar e social e adotam um modo de vida narcísico (no igual modo de vestir, de cortar ou não cortar o cabelo, no jeito de falar, nas regras de comer, na ritualística, etc), enfim, quando uniformizam seu discurso, gestos, postura, atitudes em geral e punem os que se recusam a seguir as regras impostas. Entrar para um grupo de fanáticos implica em renunciar: pai, mãe, os filhos, os amigos, o lugar onde viveu, o trabalho, enfim, os membros são persuadidos a matarem os vestígios simbólicos da vida anterior para fazer renascer a vida em outra base moral e de fé.
Quinto, quando o indivíduo e/ou grupo perdem o bom-senso na lógica da comunicação e nas ações do cotidiano. O discurso passa a ser repetitivo e estranho à vida comum.
O sexto indício de fanatismo é quando se perde o sentido de respeito e humanidade para com os diferentes, em nome de uma causa transcendente.
O psicólogo francês, J-M. Abgrael, resume o método de doutrinação fanática em 3 etapas: 1o) sedução das pessoas para a “causa”;2o) destruição da antiga personalidade, eliminação dos elos familiares, sociais e profissionais e 3o) construção de uma nova personalidade “renascida” ou “renovada”, de acordo com o modelo e as regras da seita.  Geralmente essa passagem da vida normal para a vida “renovada”, há um ritual, algum tipo de batismo, onde se inicia a adoção de um novo nome, novos hábitos, apresentação de novas “famílias”. Sentir-se incluso num grupo “de irmãos” ou “de luta pela causa” “é como estar apaixonado; surge uma sensação maravilhosa, tudo passa a fazer sentido na vida, a pessoa se sente acolhida e imensamente alegre”. O indivíduo passa a se ver se modo especial, diferente dos demais para realizar a missão elevada; se vê inundado por um sentimento grandioso que Freud chama de “sentimento oceânico”. Imagine um indivíduo desesperado, desgarrado de seu grupo social, sem uma forte identidade psicossocial cuja vida perdeu o sentido, ao ser acolhido em um grupo fanático, recebe mensagens confortadoras, do tipo: “nós amamos você”, “você é muito importante para o projeto de Deus”, “você faz parte de nossa vida”, “Deus te ama”, etc Diz P. Demo (2001) “o sentimento de ser amado, move o entusiasmo mais do de qualquer coisa”.
Faz parte da estratégia para atrair pessoas para novas seitas e igrejas, investir em programas produzidos para solitários que sofrem insônia e depressão nas madrugadas. Os desesperados sentem-se acolhidos com tais palavras mágicas e facilmente se sentem inclusos e maravilhados pela ilusão de nova vida e sentimento extremo de felicidade,  numa igreja em que o fanatismo é o seu ponto cego.
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Todo fanático é intolerante.
O fanatismo é a intolerância extrema para com os diferentes. Um evangélico fanático é incapaz de diálogo e respeito para com um católico ou um budista. Um fanático de direita não quer diálogo com os de esquerda. Organizações como a Ku Klux Klan são intolerantes igualmente com negros adultos, mulheres e crianças. Por isso se diz que há em cada fanático um fascista camuflado, pronto para emergir em atos de exclusão e eliminação.
O semiólogo e filósofo italiano, Umberto Eco, reconhece que o protofascismo está presente nos movimentos fanáticos. No campo político, não importa auto denominar-se de “esquerda” ou de “direita” pode existir um protofascismo. No fundo os atos terroristas são produzidos e sustentados por fanatismos de inspiração místico-fascista incapazes de diálogo ou argumento racional que esclarece sua causa objetiva. Não é sem sentido que os atos terroristas deixaram de dizer algo pela palavra e passaram a ser apenas o ato, o acting out.  S. P. Rouanet diz que “os terroristas são agentes de uma ideologia religiosa extrema direita … que funciona como ópio do povo…” (A coroa e a estrela, FSP, Mais!, 18/11/01)
O fascismo, tanto o de Estado dos fundamentalistas religiosos, como o que está pulverizado nos atos do cotidiano das relações humanas, é fanático porque desrespeita, desconsidera, é intolerante quanto ao modo de ser, pensar e agir do outro, é tradicionalista-fundamentalista.  Enquanto o fascista “quer o poder pelo poder”, há o fanático “autêntico” que anseia dominar o mundo com sua crença, e o “fanático terrorista” que “deseja apenas destruir a estrutura de sustentação do inimigo”. Mas, ambos, o fascismo e o fanatismo não são compatíveis com a democracia. Ambos pregam intolerância multirreligiosa, a intolerância multicultural e multirracial e usam o espaço de liberdade democrática para espalhar o seu ódio e sua crença.
O sentimento que no fundo sustenta o fanatismo e o fascismo não é a fé, nem o amor [Eros], mas o ódio [Thanatos] e a intolerância.O desejo do fanático “autêntico” é dominar o mundo com seu sistema de crença cheio de certeza. No plano psíquico, o lugar do recalque torna-se depósito de ódio e desejo de eliminar todos os que atrapalham o seu ideal de sociedade. Certa dose de paciência doutrinada o faz esperar-agindo para que a “idade de ouro puro” possa um dia acontecer.
São tão fanáticos os terroristas-suicidas muçulmanos como os fundamentalistas cristãos norte-americanos que atacam clínicas de abortos, perseguem homossexuais, proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin, obrigando aos professores ensinarem a doutrina criacionista tal como está na Bíblia, ou ainda, os protestantes da Irlanda do Norte que atacam crianças católicas ou os bascos que querem ser um país independente a qualquer preço, por meio do terror.
Alguns personagens “messiânicos” de nosso tempo, como Hitler, Idi Amin, Reagan, G. W. Bush, Sharon, os grupos dos martírios suicidas do Oriente Médio, entre outros, tem algo em comum: cada um se sente o escolhido para cumprir uma especial missão. Hitler discursou que “as lágrimas da guerra preparariam as colheitas do mundo futuro”. G. Bush, na sua ânsia de guerra contra o ditador S. Hussein, não estaria delirando no mesma linha ? Não é sem sentido que os EUA, tem sido o solo fértil de seitas cristãs fanáticas. Uma delas, A Casa dos Filhos de Jeová, torce para o mundo se acabar logo, porque seus membros acreditam que depois surgirá uma nova civilização do Bem.
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Fanáticos e suicidas carecem de humor
O fanatismo parece ser uma doença contagiosa, pois tem o poder de atrair adeptos geralmente em crise profunda de vida pessoal. Fanáticos e suicidas tem em comum a falta de humor e o desapego pela própria vida. A certeza cega tira-lhes o humor e os colocam no caminho do sacrifício místico.
O escritor e pacifista israelense, Amós Oz, numa carta ao escritor japonês Kenzaburo Oe, Prêmio Nobel de 1994, escreve ter encontrado a “cura para o fanatismo”: o bom humor. Diz que: “nunca vi um fanático bem-humorado, nem alguém bem-humorado se tornar fanático”. Oz imagina uma forma mágica de prevenir o fanatismo: um novo tipo de messias que “chegará rindo e contando piadas”.
Emil Cioran, um filósofo amargo e pessimista, vê nas atitudes dos céticos, dos preguiçosos e dos estetas, os únicos que verdadeiramente estão a salvo do fanatismo. Já os religiosos estreitos, os políticos sectários, os dogmáticos que habitam em todas as áreas do conhecimento, tendem ao fanatismo com seus instrumentos próprios. O fanática jamais se pensa ser fanático .
Enfim, é preciso estarmos atentos e preparados para resistir os apelos do fanatismo que como erva daninha não escolhe lugar para germinar e se alastrar. Os grupos fanáticos exercem um atrativo para os indivíduos que possuem uma estrutura psíquica vulnerável, os desesperados, os desgarrados, os avessos ao espírito crítico ou predispostos à crendice, ao desejo de encontrar uma certeza e a se “contentar-se com pouco” na terra, porque ele tem certeza de que ganhará na suposta vida após a morte. Tanto o fanatismo como a guerra estão entre as situações que se encontram na contramão da sabedoria.
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Para prevenção do fanatismo
Freud, como pensador evolucionista, pensava que só quando a civilização ascendesse à maturidade psíquica é que descartaria os mecanismos infantis ou alienantes cuja matriz é a religião. Segundo o fundador da psicanálise, a religião infantiliza as pessoas e as arrasta ao delírio de massa. O homem não poderia viver nesse estado de infantilismo para sempre, daí a urgente necessidade de um projeto de uma “educação para a realidade“, que fortaleceria a vida intelectual, facilitando o acesso de todos ao conhecimento científico, por ser este verdadeiro. Ademais, a religião não fez e nem faz as pessoas felizes, mas, dá-lhes uma ilusão de felicidade; sem dúvida, ela tem o poder de controla os impulsos primitivos psicossexuais e proporciona alguma direção moral, que costuma ir além do necessário, ou seja, reprimindo o potencial criativo ou de prazer genuíno das pessoas.
Amós Oz, o escritor pacifista, sugere a criação de escolas em todo o mundo da disciplina “fanatismo comparado“. Tal disciplina não apenas serviria para entender os fanatismos: religioso, nacionalista, racial, político, desportivo, mas também outros que passam desapercebidos, como o “antitabagista” que poderia queimar os que fumam, o “vegetariano” que comeria vivo quem come carne, “o ecologista” que prefere salvar as baleias às pessoas famintas, etc. Uma disciplina como essa, teria uma função mais queeducativa, teria uma preocupação preventiva quanto a possibilidade de “contágio” social do fanatismo, já que pode-se pegá-lo ao tentar curar alguém desse mal.
.Texto extraído de www.espacoacademico.com
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Entrevistamos o Prof. Dr.  Sivio Mmax; Antropólogo e Professor na Universidade do Sagrado Coração – USC, de Bauru no interior de São Paulo:
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Silvio, como se define antropologicamente o fanatismo religioso?
Trata-se de um fenômeno estudado mais especificamente pela Sociologia e pela Psicologia da Religião do que propriamente pela Antropologia. Emprestando noções de outras ciências, podemos arriscar afirmando que o fanatismo religioso é uma síndrome que afeta a percepção e o julgamento do sujeito, que passa a rejeitar toda e qualquer ideia ou comportamento que não se adequa a um modelo ou interpretação religiosa em particular.  Assim, toda instituição ou pessoa divergente ou que não se amolda ao conceito eleito como absolutamente verdadeiro, passa a ser visto como inimigo e, portanto, digno de ser combatido. O fanatismo enquanto comportamento, não é típico de uma religião em particular, mas pode afetar seguidores de qualquer religião ou até mesmo membros de agremiações esportivas ou político-partidárias.
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Por qual motivo  algumas crenças aplicam o método da repetição em seus fiéis, incentivando-o, desde pequeno, a dizer que sabe que aquela instituição é verdadeira?
Esse processo é meio do qual um conjunto de valores e crenças pode ser introjetado na psique de um grupo de pessoas. Deste modo, o sujeito assume como próprios os conceitos e valores transmitidos pelo grupo. Uma coisa é certa: quanto mais nova for a pessoa, mais susceptível ela será a esses valores, crenças e ideologias, pois seu senso crítico ainda não está plenamente desenvolvido. 
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 Esse método prende o fiel impedindo que ele crie dúvidas acerca da veracidade daquela crença?
Em geral, a pessoa desenvolve uma tolerância a todos os preceitos ideológicos do grupo, evitando criticá-los, pois isso colocaria em “xeque” suas próprias crenças, além de causar mal estar e reprovação de seus líderes e demais companheiros que também fazem parte do mesmo grupo. O sujeito muitas vezes não exerce sua capacidade reflexiva porque parte do princípio de que seu líder conhece a verdade ou porque ele tem algum tipo de acesso privilegiado à “vontade divina”, o que colocaria essa pessoa em condição legítima de interpretar essa mesma vontade, ditando assim as regras para o comportamento do restante do grupo.
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Como a antropologia explica esse fenômeno?
Do ponto de vista estritamente antropológico, podemos dizer que o fanatismo e o fundamentalismo religiosos tem suas raízes no etnocentrismo, que faz o sujeito acreditar que sua cultura, seus crenças e valores são melhores, superiores ou mais verdadeiros que as crenças e valores de outros grupos ou etnias.
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Esse comportamento é destrutivo? É capaz de criar algum “monstro”?
O fanatismo geralmente apresenta desdobramentos nefastos como exclusão social, vandalismo e violência simbólica ou física contra um indivíduo ou contra grupos inteiros. O sujeito passa a apresentar comportamento irracional, intolerante, passa a ser susceptível a vários tipos de racismos, preconceitos e fundamentalismos, o que dificulta sua convivência harmoniosa com pessoas de grupos culturalmente distintos. 
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“Eu sei que esta igreja é verdadeira”
O “testemunho”, para muitos membros da igreja Mórmon, é alcançado por meio de uma oração, logo após das primeiras visitas de um missionário da igreja. Se você sentir um “frio na barriga”, é um sinal de que toda aquela instituição é verdadeira. Eles baseiam toda fé, toda a história, toda a doutrina, mediante ao sentimento “alegre e feliz” que sentiram no início; nenhuma duvida, nenhuma questão pode ser lançada em debate, nada que quebre a coroa de vidro dos reis e rainhas desse conto de fadas. Por pensarem ter esse contato direto com o próprio divino, atacam livremente quem descorda ou mesmo quem colocar em dúvida toda aquela “santidade”. As imagens de comentários apresentadas ao longo da postagem mostram a tamanha agressividade de algumas pessoas, que abrem barreiras do limite e do bom senso, a ponto de criar ameaças pessoais e físicas. Esta série mostra o poder destrutivo do “testemunho”, da fé cega do poder imaginário que pode causar danos destrutivos. Criando monstros em nome da fé.
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* Imagens retiradas a partir de cópias de comentários de membros da igreja SUD na página da nossa comunidade no facebook – Todos os direitos reservados ao www.humorexmormon.com
Agradecimentos:
Prof. Dr. Silvio Mmax
www.espacoacademico.com