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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

[PENUMBRA LIVROS] Frater Optimus e o Terrorismo Religioso




Frater Optimus
O colunista Frater Optimus faz parte de uma espécie em extinção: é um mago das antigas. Por conta da idade avançada e de ter sido criado em “outros tempos”, suas opiniões costumam ser controversas. Mas vale a pena ver o que ele tem a dizer – na pior das hipóteses, ele vai te dar material para refletir.
Nessa semana, Frater Optimus fala sobre a onda de terrorismo religioso que está se abatendo sobre nosso país.
Era só o que me faltava. Eu já tinha ouvido falar do caso em que tacaram fogo na Casa do Mago, no Rio de Janeiro (ainda bem que ninguém se machucou). Mas ainda mais recente e assustador foi esse caso dos bandidos que invadiram um terreiro e fizeram um verdadeiro terrorismo com os participantes do culto. Para mim, essa foi a gota d’água.
Vou resumir a história.
Parque Flora, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Um grupo de traficantes armados, dizendo estar a serviço de Jesus, invade um terreiro de candomblé. Chegaram mijando nas imagens, mandando o pai de santo destruir as estátuas, arrebentar as guias, quebrar as garrafas com oferendas. Filmaram tudo, e divulgaram em redes sociais a evidência do crime, para mostrar para todo mundo como eles são malandrões. Uma citação ipsis literis de um dos bandidos (de um dos filmes divulgados):
É só um diálogo [nota: “diálogo” é o nome do taco de baseball que o cretino está usando para ameaçar o pai de santo] que eu tô tendo com vocês, na próxima vez eu mato! Safadeza, pilantragem! Primeiramente é Jesus! Quando vocês forem bater cabeça aí na casinha do cachorro, vocês primeiro pedem licença a Jesus! Vocês não sabem que o “mano” não quer macumba aqui? Tá peitando por quê? Por que a gente tirou a boca dali? Arrebenta tudo! Eu sou da honra e glória de Jesus! Pensa por que eu não tô na favela essa porra vai continuar? Já avisei! Se eu pegar de novo ou tentar construir esse caralho de novo, eu vou matar!
Sim, vocês não leram errado. O camarada se diz “da honra e glória de Jesus”, que deveria ser um símbolo universal de amor e tolerância, e diz que se não fizer o que ele está mandando, vai matar.
Vou repetir mais uma vez, caso você não tenha entendido: diz que vai matar. Em nome de Jesus.
E esse foi um caso só. Mas na mesma região, a mesma coisa se repetiu sete vezes em menos de dois meses. Sete vezes. Dois meses. Mais ou menos uma vez por semana. Percebo um padrão.
Eu te pergunto, leitor: o que diferencia esse tipo de atitude dos Traficantes de Jesus dos malucos do Estado Islâmico? Estou perguntando a você, porque para mim não tem diferença nenhuma. Os dois estão impondo sua visão de mundo sobre os outros na base da força, levando a intolerância religiosa às últimas consequências, e “resolvendo diferenças” na base do terrorismo.
Mas voltando à vaca fria. Os Traficantes de Jesus podem ser bizarros, absurdos, e até burros, mas uma coisa é certa. Esses bandidos sabem fugir da lei. E o artifício que eles estão usando é roubar tudo que tem de valor nos terreiros depois de espalharem o terror. Porque assim o crime deles passa a ser enquadrado como roubo comum, e não como intolerância religiosa. E a polícia (muitos policiais compartilham da mesma crença dos bandidos) tem mais liberdade para fazer vista grossa. Bem criativo.
Mas não interessa a tecnicalidade da classificação do delito. Isso é, sim, intolerância religiosa. E terrorismo. E com certeza não é o fruto da intensa espiritualidade de um grupo de inocentes meliantes que vendem tóxicos para crianças. Não. Isso é fruto de lavagem cerebral que algum pastor ou igreja está fazendo, sistematicamente.
Essa lavagem cerebral já pode parecer uma coisa terrível, e um motivo para grande preocupação, mas existe uma coisa ainda mais séria por trás de tudo isso. Esses casos não são isolados. São sintomas de que nosso país está se transformando em uma teocracia.
Você pode achar que eu estou ficando maluco, que o Estado é laico, que o que eu estou dizendo não faz sentido. E se esse for o caso, saiba que eu não me importo nem um pouco com a sua opinião. Nós estamos virando uma teocracia, sim.
E sabe de quem é a culpa?
Sua.
O culpado não é você como indivíduo. É você como Povo. A culpa é minha também, eu me incluo nisso. Nós, o Povo, estamos elegendo cada vez mais evangélicos, para tudo quanto é cargo público. Eu estou há muitas décadas participando do processo democrático, não me lembro de todo candidato em que votei. Mas posso me orgulhar de que se algum dia votei em um evangélico , foi algum evangélico que simplesmente segue essa fé, sem fazer dela uma plataforma de campanha.
Porque eu tenho consciência de que nem todo evangélico é – perdoem a expressão – um filho da puta. Mas quem manipula as massas usando a fé como ferramenta, faz lavagem cerebral nas massas, incentiva e acoberta esse tipo de crime é, sim, filho da puta. E bandido. E terrorista. E precisa ser tratado como tal.
O maior mal que hoje acomete o Brasil, como Estado, não é a simples corrupção. É a corrupção e a bandidagem associadas à construção (lenta, porém constante) de uma teocracia. Me perdoem os incomodados, mas não vou parar de usar essa palavra. Se continuarmos nesse ritmo, o Estado Islâmico vai ficar para trás em pouco tempo. O Terror terá um novo nome: Estado Universal, Estado do Renascimento de Cristo, Estado Neopentecostal. Não sei qual vai ser o nome, mas a maior ameaça a esse país são os crentes, e isso tende a piorar.
Ah, Frater Optimus, você está reclamando de intolerância, mas está sendo intolerante!
Repito: nem todo evangélico é um filho da puta. A maioria, na verdade, são pessoas comuns (nem melhores nem piores do que eu e você), que seguem uma fé que as ajuda a levar suas vidas adiante. E, acredite se quiser, eu respeito isso. O que eu não respeito e não tolero são:
  • Os ditos “líderes” religiosos que comandam essas pessoas comuns, colocam elas para fazer seu serviço sujo, roubam seus dízimos e muito mais na base do medo, e ainda as usam como massa de manobra em um projeto a longo prazo de perpetuação de poder e construção de uma teocracia;
  • Os bandidos e terroristas que só precisam de um empurrãozinho, um motivo, e – com o perdão do trocadilho – um Amém para fazerem suas atrocidades, com a bênção de Jesus.
Ué, Frater Optimus, mas se só os líderes e os terroristas são o problema, porque esse discurso de ódio contra os evangélicos? E por que o problema somos nós, o Povo?
Se você está fazendo essas perguntas de coração, meu discurso de ódio e minha intolerância são contra você! Deixa de ser burro! Malandro só se cria onde existe trouxa para enganar. Deixe de ser trouxa! Acorde os trouxas que estão ao seu lado! Faça alguma coisa! Não deixe o Brasil virar o novo Estado Islâmico! Acorda pra cuspir!

Link original:

sexta-feira, 12 de abril de 2013

DESPREGADOR URGENTE: Curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho” é censurado no Acre

Numa recente demonstração de autoritarismo e desrespeito à laicidade do Estado, o premiado curta-metragem “Eu Não Quero Voltar Sozinho” foi censurado no Acre. O filme fazia parte da programação do Cine Educação, projeto voltado à inserção da arte no ambiente escolar. Entretanto, a temática central do filme (o surgimento de uma relação homoafetiva entre colegas de escola, complexificada pela deficiência visual de um deles) desagradou os líderes religiosos locais. Tais líderes, numa atitude absolutamente inaceitável de intolerância, conseguiram proibir a exibição do filme pressionando os políticos locais. Não satisfeitos com essa barbárie, os fundamentalistas homofóbicos conseguiram paralisar o Cine Educação, cujo futuro está agora ameaçado.
O caso já foi notícia em vários canais, como o jornal A Capa e o Cineclick UOL (confira a lista completa no final do post). Uma outra reação de impacto foi carta de repúdio do Movimento Audiovisual Acreano Contra a Censura, com o subtítulo “O ESTADO BRASILEIRO É LAICO!“, que também lista os prêmios nacionais e internacionais que o curta metragem já ganhou. Segundo o Movimento, este é “um dos filmes brasileiros mais premiados dos últimos tempos em vários Festivais de Cinema Nacional e Internacional”.
Assista aqui o filme “Eu Não Quero Voltar Sozinho” , e confira logo abaixo a mensagem da Lacuna Filmes, produtora do curta, na íntegra:>


Queridos amigos e colegas,
No início da semana recebemos a notícia de que a exibição do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, como parte do programa Cine Educação, havia sido censurada no Acre.
O programa Cine Educação, uma parceria com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos, tem como objetivo ”a formação do cidadão a partir da utilização do cinema no processo pedagógico interdisciplinar” e disponibiliza diversos filmes cujos temas englobem os direitos humanos, de modo que professores escolham quais são mais adequados para serem trabalhados em aula.
Na semana passada, no estado do Acre, uma professora escolheu o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho e exibiu-o para seus alunos. Para aqueles que não conhecem, a trama narra a história de Leonardo, um adolescente cego que, ao longo do filme, vai se descobrindo apaixonado por um novo colega de sala.
Alunos presentes na exibição confundiram o curta metragem com o “kit anti-homofobia” e levaram a questão aos líderes religiosos, que mobilizaram políticos da região com o intuíto de proibir o projeto Cine Educação como um todo. Nenhum desses representantes públicos deu-se ao trabalho de ir atrás da verdade e descobrir que se tratava de um programa pedagógico com o intuito de levar o debate sobre direitos humanos para a sala de aula. Mais uma vez no Brasil, a educação perde a batalha contra o poder assustador das bancadas religiosas e conservadoras.
Neste momento, o programa Cine Educação está paralisado. Enquanto isso, os secretários de Educação e de Direitos Humanos do Acre estão articulando com o governador a possibilidade de garantir sua continuidade, enquanto os líderes evangélicos forçam o cancelamento definitivo do programa. Pelo que sabemos, mesmo que o programa seja reativado, o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho será excluído do catálogo e não mais ficará disponível para que professores o utilizem no debate de questões que envolvem algo tão elementar quanto a sexualidade humana e tão importante quanto a deficiência visual.
De forma arbitrária, em uma república federativa cuja Constituição atesta um Estado laico, a sociedade está sendo privada de promover debates. Como pretendemos que adolescentes consigam respeitar a diversidade e formem-se cidadãos lúcidos, pensantes e ativos se informação, arte e cultura (sem qualquer caráter doutrinário) lhes são negadas?
Eu Não Quero Voltar Sozinho não é um filme proselitista, tampouco ergue bandeiras de nenhuma natureza. É apenas uma obra de ficção amplamente premiada em festivais de cinema no Brasil e no exterior, cujos predicados artísticos e humanos transcendem qualquer crença. Ademais, se assuntos referentes à orientação sexual dos indivíduos e seus respectivos direitos civis estão na pauta do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, por que não debatê-los em sala de aula? Que combate sombrio é esse, que reacende a memória de um obscurantismo Inquisidor?
Produtores do Eu Não Quero Voltar Sozinho
Daniel Ribeiro e Diana Almeida
Abaixo, o curta metragem na íntegra:


Posts e Matérias: Cineclick – UOL: Premiado em Paulínia, filme gay é censurado em projeto educativo
ACapa: Curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho” é proibido no Acre, confundido com kit anti-homofobia
No Ghetto: “Eu Não Quero Voltar Sozinho” censurado no Acre.
Papo de Homem: Dois casos de censura
Anderssauro: Eu Não Quero Voltar Sozinho
Update or die: Eu Não Quero Voltar Sozinho
Gay1: Premiado em Paulínia, curta gay é censurado em projeto educativo
Fonte: Bule Voador.

sexta-feira, 29 de março de 2013

DESPREGADOR URGENTE! Proposta que enterra o Estado Laico no Brasil pode ser aprovada na Câmara!

Câmara pode aprovar proposta que dá fim ao Estado Laico no Brasil. Comissão de Constituição e Justiça já aprovou permissão para religiosos interferirem nas leis brasileiras

Se é que existe a laicidade no Brasil, onde, pelo menos teoricamente, a religião não interfere no Estado, ela está para ter seu fim. Isso porque na manhã desta quarta-feira, 27 de março, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 99/11, do deputado João Campos (PSDB-GO / foto abaixo).
joão campos bancada evangélica
Proposta do deputado João Campos (PSDB) põe fim ao estado laico no Brasil

A proposta inclui as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal. Ou seja, religiosos poderão questionar decisões judiciais como a legalidade da união estável para casais de mesmo sexo, aprovada no Supremo em maio de 2011.
O texto segue para ser votado em plenário e, se aprovado, segue para votação no Senado Federal. A Ementa da PEC 99/11 versa que caso o texto seja aprovado ele “Acrescenta ao art. 103, da Constituição Federal, o inciso X, que dispõe sobre a capacidade postulatória das Associações Religiosas para propor ação de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade de leis ou atos normativos, perante a Constituição Federal”.

Leia abaixo a matéria da Agência Câmara

CCJ aprova admissibilidade de PEC que autoriza entidade religiosa a questionar lei no STF
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou, nesta quarta-feira (27), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 99/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), que inclui as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre estas entidades estão, por exemplo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e a Convenção Batista Nacional.
A proposta será analisada por uma comissão especial e, em seguida, votada em dois turnos pelo Plenário.

Autores
Hoje, só podem propor esse tipo de ação:
- o presidente da República;
- a Mesa do Senado Federal;
- a Mesa da Câmara dos Deputados;
- a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
- governador de Estado ou do Distrito Federal;
- o procurador-geral da República;
- o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
- partido político com representação no Congresso Nacional; e
- confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

Fonte: Pragmatismo Político

sábado, 29 de setembro de 2012

Jihad Brasileira – A “Guerra Santa” Verde e Amarela começou

(Fonte Original: Ah Duvido! - Com pequenas alterações no primeiro parágrafo.)
Quem acompanha este humilde blog sabe que eu, Snowmeow, sempre tenho postado alertas contra o descalabro evangélico, pedindo para o povo brasileiro acordar, abrir os olhos, mas todos têm me dado ouvidos moucos. Talvez por achar que os evangélicos, fora a gritaria e a música gospel no talo do som de casa ou do carro, jamais poderão interferir na vida de católicos, espíritas, umbandistas, ateus e pessoas sem religião. Até agora!
Nesse momento, o quadro mudou. E mudou para pior. Não está mais atingindo apenas o “idiota” que paga o dízimo para esses pastores e os enriquecem: está atingindo a todos nós e você já vai saber o porquê. Confira: 
Jihad Brasileira começou

A Jihad Brasileira começou. Os líderes das Igrejas iniciaram um combate visando a conquista do público alheio. Com o crescimento desacelerando, para crescer mais, o jeito é tomar o “fiel” de outra igreja evangélica. Segundo o IBGE , em 2009 os evangélicos já somavam 50 milhões de brasileiros, cerca de 25,4% da população total do Brasil na época. A estimativa é que esse índice alcance os 104 milhões de evangélicos em 2020, em uma população de 209 milhões, representando aproximadamente, 50% dos brasileiros. Esse crescimento exponencial é explicado através de três fatos: publicidade exagerada, engenharia social e, principalmente, o aumento da exposição na Televisão.  E os representantes dessas Igrejas sabem disso, sabem que é a Televisão a maior agregadora de mentes. Dessa conclusão comum, iniciou uma disputa pelos horários nas madrugadas das emissoras. Foi nesse ponto que toda a confusão começou. Era um puxando o tapete do outro e o outro puxando o tapete do “um”.
Breve Histórico
Para você entender melhor como tudo isso se desenrolou, colocarei aqui um breve histórico dos envolvidos:
Evangélicos
Nos países anglo-saxões, onde a Reforma Protestante eclodiu no século XVI, o termo “evangélico” é usado para definir quase todas as doutrinas cristãs protestantes. Na Alemanha, berço do luteranismo, seu uso chega a ser mais específico: é comum se referir aos membros da Igreja Luterana como evangélicos, excluindo-se o resto dos protestantes. Já no Brasil, quando se fala de evangélicos, trata-se de uma forma genérica de se referir às correntes protestantes pentecostais e neopentecostais (veja abaixo), surgidas somente no século XX. De forma simplificada, pode-se dizer que todo evangélico é protestante, mas nem todo protestante se considera evangélico.
Protestantismo Histórico
Movimento iniciado na Europa no século XVI, cujo marco célebre são as 95 teses do teólogo cristão Martinho Lutero criticando uma série de práticas e doutrinas da Igreja Católica. Ao romper com o Vaticano, Lutero desencadeia a Reforma Protestante, que culmina com a fundação de correntes cristãs dissidentes, como a própria Igreja Luterana, a Calvinista e a Metodista. A maioria das igrejas protestantes rejeito o culto a Maria e aos santos e o celibato clerical, além de admitir práticas como o divórcio e os métodos anticoncepcionais.
Protestantismo Pentecostal
Corrente que aparece nos Estados Unidos nos primeiros anos do século XX, entre fiéis metodistas insatisfeitos com a falta de fervor em suas igrejas. Devido aos cultos vibrantes, marcados por expressões de êxtase e fortes emoções, não demora a se difundir pelos EUA, e posteriormente por países mais pobres, especialmente na América Latina. Em linhas gerais, os pentecostais acreditam em aspectos milagrosos da fé, como o poder de cura do Espírito Santo, e enfatizam a pregação do Evangelho aos não convertidos. A maioria das igrejas pentecostais cobra dízimo de seus fiéis
Protestantismo Neopentecostal
Fenômeno surgido a partir dos anos 1970, que se difere do pentecostalismo tradicional especialmente por estimular o fiel a buscar a prosperidade em lugar da graça. Seus rituais espetaculosos, que não dispensam curas milagrosas e exorcismos, não escondem o fato de que grande parte das igrejas neopentecostais não são muito rígidas no que diz respeito aos hábitos e costumes de seus fiéis. Algumas delas mantém forte presença na mídia eletrônica, controlando a programação (quando não as finanças) de centenas de emissoras de rádio e televisão Brasil afora.
As envolvidas
Igreja Universal do Reino de Deus
Fundação: 1977
História e doutrina: Principal igreja do fenômeno neopentecostal brasileiro, foi fundada pelo bispo Edir Macedo, nos subúrbios do Rio de Janeiro. Segue os preceitos gerais do cristianismo. Em seus cultos diários, estimula-se a doação do dízimo e é comum a prática do exorcismo. Aposta na mídia eletrônica para atrair fiéis – é dona da Rede Record de televisão, entre outras emissoras.
Igreja Internacional da Graça de Deus
Fundação: 1980
História e doutrina: Dissidência direta da Igreja Universal, foi fundada no Rio por Romildo Ribeiro Soares, cunhado do bispo Edir Macedo. Suas pregações e rituais, repletos de curas e exorcismos, podem ser acompanhadas em diversas emissoras de televisão, que vendem seus horários para que a igreja arrebanhe seus fiéis.
Igreja Apostólica Renascer em Cristo
Fundação: 1986
História e doutrina: Uma das neopentecostais em que o incentivo à busca da prosperidade material é mais evidente, a Renascer foi fundada em São Paulo. Tendo como público alvo a classe média urbana, trouxe novidades para os cultos evangélicos, como o rock gospel e as festas jovens dentro dos templos. A exemplo de suas congêneres, se mantém à base de doações sistemáticas de seus fiéis.
Assembléia de Deus – Vertente Vitória em Cristo
Fundação: 1910
História e doutrina: A maior igreja pentecostal brasileira surgiu em Belém (PA), sob a influência de dois missionários suecos vindos dos Estados Unidos, onde freqüentavam a Igreja Batista. Organizada nos moldes das igrejas pentecostais que surgiam então naquele país, a Assembléia de Deus acredita no poder supremo do Espírito Santo e prega com ênfase o Evangelho cristão. Nos cultos, fiéis oram e cantam em voz alta dentro dos templos. A vertente Vitória em Cristo é comanda por Silas Malafaia.
A Igreja Mundial do Poder de Deus
Fundação: 1988
História e Doutrina: A Igreja Mundial do Poder de Deus é uma igreja neo-pentecostal. Foi fundada na cidade de Sorocaba em 9 de março de 1998 pelo Apóstolo Valdemiro Santiago, (ex-bispo da IURD). Sua sede, o Grande Templo dos Milagres, funciona no galpão de uma antiga fábrica que tem 43 mil metros quadrados de área construída, localizada na Rua Carneiro Leão, no Brás, em São Paulo. Seu enfoque principal é a salvação, prosperidade financeira, a cura e os milagres.
Como começou?
Fazia um bom tempo que as Igrejas Evangélicas vinham trocando alfinetadas. O Crescimento obtido entre os anos de 2005 e 2009 não era mais o mesmo, o mercado começou a esfriar. A solução para continuar expandindo foi “roubar” o fiel da outra igreja pentecostal. E qual o jeito mais fácil de fazer isso? Se você pensou “tomar o horário de TV” acertou!
RR Soares foi o primeiro. O líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, que já era dono de uma canal de TV e detinha os horários de  mais quatro emissoras comprou o horário que era de Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Reino de Deus. Esse, por sua vez, xingou para os quatro ventos a atitude do missionário e o acusou de preconceito e perseguição, até que conseguiu negociar um horário reduzido em outra emissora.
Recentemente, Valdemiro decidiu que já era hora de aumentar o seu horário na TV e puxou o tapete de Silas Malafaia, comprando o seu horário na Band. Silas Malafaia, por sua vez, atacou Valdemiro, dizendo o ultimo não tinha caráter. Valdemiro retrucou e xingou Malafaia, dizendo que o Mal tinha-o tomado. Nesse meio tempo, Edir Macedo começou a se preocupar com o novo horário de TV de Valdemiro, pois a Igreja Mundial do Reino de Deus está se tornando a principal concorrente da Igreja Universal. O resultado foi o bombardeio de reportagens contra Valdemiro na Record, emissora do Edir Macedo.
Agora, um aponta o dedo na cara do outro. Nesse tiroteio, os líderes manipulam os seus fieis para se oporem a outra Igreja, criando um conflito entre os próprios evangélicos. Resumindo : “É o sujo falando do mal lavado”  comandando seus peões para o ataque. Como você verá no próximo item, todos tem culpa no cartório.
Acusações contra as Igrejas Evangélicas
Igreja Renascer em 2007
Os fundadores da Igreja Renascer em Cristo foram acusados pelo Ministério Público de São Paulo de cometer os crimes de lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. Essas acusações renderam um pedido de prisão preventiva, o bloqueio de bens e a quebra do sigilo bancário dos fundadores da igreja: Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes.
Foragidos desde o final de novembro de 2006, os dois conseguiram uma liminar revogando o pedido de prisão preventiva no final de dezembro do mesmo ano. Por conta da liminar, conseguiram embarcar para os Estados Unidos, mas foram presos por declarar falsamente que não carregavam mais de US$ 10 mil –quando portavam US$ 56 mil.
Em outubro de 2006, o Ministério Público havia apresentado denúncia à Justiça contra Estevam Filho, Sonia Hernandes e o bispo primaz Jorge Luiz Bruno, que supostamente montaram uma igreja “laranja”, chamada Internacional Renovação Evangélica, para livrar a Renascer de processos.
Segundo levantamento do Ministério, a igreja e as empresas relacionadas ao grupo religioso responderiam por mais de 100 processos –a maioria trabalhista– nas Justiças de São Paulo e Brasília. Por conta dessas acusações, o órgão chegou a pedir o fechamento dos mais 1.500 templos da igreja.
Outra denúncia, feita em setembro do mesmo ano, acusou o casal de fundadores por estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Na acusação, o Ministério afirma que o dinheiro arrecadado na coleta dos “dízimos” dos fiéis seria usado para pagar funcionários de empresas dos Hernandes.
Por conta dessa denúncia, a 1º Vara Criminal de São Paulo determinou o bloqueio dos bens e contas bancárias dos fundadores e das empresas do grupo religioso, em que circularam cerca de R$ 46 milhões entre os anos de 2000 e 2003, de acordo com informações do Ministério Público.
Igreja Universal do Reino de Deus
Existe na Justiça desde de a época do Guaraná com Rolha ações contra a IURD e seu líder Edir Macedo. Em 2009, a 9ª Vara Criminal da Capital acolheu a denúncia do Ministério Público de São Paulo, que acusava Edir Macedo e os demais envolvidos de há cerca de 10 anos se utilizar da Igreja Universal para a prática de fraudes em detrimento da própria igreja e de inúmeros fiéis.
Uma investigação mostrou que, somando transferências atípicas e depósitos bancários feitos por pessoas ligadas à Universal, o volume financeiro da igreja de março de 2001 a março de 2008 foi de R$ 8 bilhões, segundo informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda.
A movimentação suspeita da Universal somou R$ 4 bilhões de 2003 a 2008. Os recursos teriam servido para comprar emissoras de TV e rádio, financeiras, mansões, agência de turismo e jatinhos.
Em 2011, o O Ministério Público Federal apresentou novamente uma denúncia contra o bispo Edir Macedo e a Igreja Universal do Reino de Deus, e mais três dirigentes sob acusação de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, falsidade ideológica e estelionato contra fiéis para a obtenção de recursos para a igreja. Os três dirigentes denunciados foram o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição e a diretora financeira Alba Maria Silva da Costa.
Não resta dúvidas que é um esquema muito bem elaborado para enriquecer as custas do povo ignorante.
Igreja Internacional da Graça de Deus
Como diria o meu primo:“Eu tenho que tirar o chapéu para o RR Soares”. Ele fala isso porque, segundo ele, o missionário líder da IIGD é o Senhor da “Cara de Pau”. Não há como discordar dessa opinião. Um sujeito que vai para frente das câmeras e diz que você tem que pagar o “boleto da graça” para sua vida melhorar e depois oferece mil e um produtos durante o que ele chama da culto (eu chamo de polishop gospel) só pode ser dotado de uma falta de caráter sem limites.
Conforme o citado anteriormente, RR Soares além de “obrigar” os fiéis a pagarem o “boleto da graça”, ainda vende tudo que é tipo de bugigangas religiosas, como purificador de água contra Satanás , Igreja Parabólica que protege a casa do Mal, CD de músicas para espantar demônios,  Bíblia que troca de capadura, entre outros produtos fabricado por suas empresas. Coloca nos cultos os músicos contratados pela sua gravadora e oferece seus CD’s e DVD’s. A cada semestre aparece com uma novidade, que sempre é um produto absurdamente comum mas gospel (ou seja, combate o Mal).
Em agosto de 2011, o Ministério Público abriu um processo com RR Soares e Rede TV quando um dos líderes da sua igreja, o pastor João Batista, incitou o preconceito e a violência contra os ateus ( o que comumente acontece na IIGD pelas palavras empregadas pelos pastores) quando declarou a platéia:
“Chega pra frente em nome de Deus. Só quem acredita em Deus pode chegar pra frente. Quem não acredita em Deus pode ir pra bem longe de mim, porque a pessoa chega pra esse lado, a pessoa que não acredita em Deus, ela é perigosa. Ela mata, rouba e destrói. O ser humano que não acredita em Deus atrapalha qualquer um. Mas quem acredita em Deus está perto da felicidade”.
Segundo o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias “as declarações ferem a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que prevêem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião sem discriminação.” O procurador ressalta que embora a maioria da população tenha religiões de origem cristã, o Brasil é um Estado laico, em que a todos é assegurada a liberdade de crença religiosa e, também, a liberdade de ser ateu e agnóstico.
Assembléia de Deus, Vertente Vitória em Cristo 
Atendendo a pedido dos Malafaia – que acha que o povo e Deus tem problemas de audição – colocamos o vídeo aqui. Ressalto a sua declaração “O internauta é tão maluco…” para vocês perceberem em que ponto chegamos!
Silas Malafaia é mais um desses pastores que vem para dar uma rasteira no povo. Tal como RR Soares, vende de tudo dentro da Igreja, desde livros até moda ungida. Tudo é apresentado aos “irmãos” durante suas cultos ensurdecedores e no seu programa “Vitória em Cristo”. Malafaia está entre os pastores que mais disseminam o preconceito no Brasil. Responde ao inquérito do Ministério Público por homofobia. É contra qualquer lei que busque igualdade para os homossexuais. Promove movimentos contra o homossexualismo e contra o aborto, mesmo em caso da gestação por motivo de estupro.
Malafaia é do tipo demagogo. Fala o que o povo quer ouvir e faz o tipo “durão” para conseguir a confiança do público. Essa mascará caiu quando o seu ex-amigo e ex-pastor Caio Fábio declarou na entrevista que explicava sobre a sua saída da Igreja que Silas Malafaia é uma farsa:
“Silas é ‘H’, é garganta. Bota o Silas sentado aqui comigo e vê como ele não vira um garotinho bonitinho, legalzinho, quietinho, educadinho, todo fofinho. Ele tira essa onda toda lá, aqui comigo, é outra história. O Silas sabe que não aguenta uma olhada dentro dos meus olhos. E tem mais: me respeita mais do que se sonha que ele me respeita. Ele sabe que aqui não tem brincadeira de Deus, e ele sabe de uma outra coisa também: tudo que eu digo a respeito dele tem a ver com a traição que ele faz ao evangelho, com a venalidade que ele praticou a vida inteira, vendendo a alma em qualquer direção, e vinha me pedir perdão, como no tempo que o Macedo pagou a ele durante anos US$ 40 mil por mês. Ele sabe, o Jabes Alencar sabe, o Macedo sabe, todo mundo sabia”.
Caio também afirma que hoje não se faz 10% do trabalho social que era feito antes do surgimento da Teologia da Prosperidade:
“Quem é que vai fazer obra social quando o negócio da Teologia da Prosperidade é que cresçam os miseráveis? Porque a Teologia da Prosperidade vive do paradoxo de que quanto mais miseráveis, ignorantes, deseducados, analfabetos, carentes, existam no país, melhor para o negócio dela, porque ela vende magia, feitiço”.
Os principais disseminadores da Teologia da Prosperidade aqui no Brasil ( leia-se “Teologia do Evangélico pagar dízimo para ser abençoado”) foram Edir Macedo e o próprio Silas Malafaia.
Igreja Mundial do Poder de Deus
A reportagem um tanto hipócrita do vídeo foi exibida no último Domingo, dia 18. Apesar de extremamente tendenciosa, as acusações tem fundamento. Valdemiro Santiago enriqueceu explorando a fé alheia, assim como Edir Macedo, aquele que o acusa. Seu patrimônio cresce de forma exorbitante a cada ano devido a sua cara de pau em fazer apelos como aquele que você viu no vídeo. As Igrejas devem o aluguel, são fechadas, a obras de caridade são mínimas, no entanto, o seu bolso não para de encher de grana, muita grana.
O Ministério Público ainda não se prenunciou sobre o caso. Entretanto, cá entre nós, já está na hora do governo cobrar impostos dessas empresas, você não acha? Elas se portam como uma e não querem ser tratadas como uma?
Como as Igrejas enriquecem 
Como mencionado anteriormente, o primeiro passo é conseguir chegar até o público. Para isso, o veículo mais efetivo é a televisão e por isso que a disputa de horários gera tanto atrito entre os líderes das Igrejas. Conseguindo essa tarefa, que é a mais difícil de todas, o resto fica fácil: abrir templos e usar da velha e boa engenharia social.
Quais são os alvos das Igrejas do Santo Din Din no Bolso? Usando a engenharia social fica fácil responder essa questão, basta mentalizar quais são as pessoas que são mais suscetíveis para se deixarem persuadir pelas idéias que serão disseminadas. Assim, os alvos ficam ordenados pela seguinte hierarquia:
1- Alvo principal: Pobres e pessoas ignorantes, de baixa escolaridade e com uma idade mais elevada, na faixa etária de 35- 70 anos.
2- Alvo secundário: Pessoas com problemas profissionais e emocionais.
3- Demais alvos: Pessoas com problemas de saúde, em especial, aquelas que já perderam suas esperanças na Medicina, entre outros grupos.
Como fazer a persuasão para o pagamento do dízimo? 
O pastor deve deixar claro aos fiéis que eles não são culpados do que acontecem em suas vidas, idéia que é facilmente semeada e aceita, já que é muito mais simples assumir que existem forças ocultas que desordenam e corroem seu dia-a-dia do que admitir que a culpa é , em grande parte, sua!
O próximo passo é indicar o caminho da mudança: o dízimo. O pastor ressalta a idéia de quanto mais você doa para Igreja mais você recebe e que, aquele que doa mesmo sem ter condições para tal é mais “bem visto” aos olhos de Deus. Eles chamam isso de “Evangelho/Teologia da Prosperidade” lançado por Calvino por volta de 1540.
O ultimo passo é chamado de teoria da dança da chuva . Sabe por que a dança da chuva nunca falha? Por que os índios dançam até chover. Quando começa a chover associam a chuva a dança, logo, concluem que a dança causou a chuva. Tal como um rato preso dentro da Caixa de Skinner, o fiel doa e espera a recompensa. Enquanto a prosperidade não chega, ele continua doando. Se ela não chega de jeito nenhum( o que é comum), é porque ele não crê o suficiente e não doou o suficiente, tem que doar MAIS. Obviamente, falando por um olhar estatístico, nesse meio tempo, a prosperidade vai chegar para alguém. Ela pode ter chegado por uma série de eventos mas essa pessoa já está doutrinada o bastante e vai ignorar qualquer outra hipótese que não seja aquela que conclui que as suas conquistas são resultados das suas doações para Igreja. Temos o inicio do viral pois essa pessoa vai passar essa idéia para outrem.
Porém, a prosperidade vai chegar para poucos e para maioria que não chegar, o pastor vai dar o exemplo daqueles que obteram o sucesso DOANDO como se eles fossem a maioria. Isso cria a duvida “Será que eu não cheguei lá por que não doei o suficiente?” . E é aí que o sujeito doa! Está preso num ciclo que não vai conseguir sair tão cedo.
Claro, para muitos, simples palavras não serão o suficiente para que elas acreditem. Nesse ponto entra o teatro tão empregado nas Igrejas. Conheço pessoas que já ganharam 500 reais para dar testemunhos de prosperidade ou fazer aquele espetáculo lá na frente dizendo que ocorreu um milagre. Cria-se um manto de sugestão e pessoas que não estão curadas começam a acreditar que também podem receber um milagre. Dessa maneira, temos diversos milagres. O milagre da sugestão!
Ponto em comum
Amigo, acredite, existe um ponto em comum entre RR Soares, Silas Malafaia, Edir Macedo, o casal Hernandes, Valdemiro Santiago, entre outros pilantras: todos eles são ateus que perceberam que existe uma maneira muito fácil de enrolar pessoas desesperadas e decidiram usufruir dessa manobra e da nossos conjunto de leis débeis para enriquecer.
Para finalizar essa parte, veja o que um dos maiores portais/site gospel diz sobre o dízimo:
Dízimo é bíblico e diz respeito a 10% dos ganhos líquidos que a pessoa adquire, oferta é voluntária, não se deve fazer apelo a ofertas, cada um contribua segundo a suas posses e desejo, sem jamais ser pressionado a contribuir.
Prova-se fidelidade e amor a Deus com testemunho e conduta cristã e não com dinheiro. Jamais se deve barganhar com Deus pois sua gloria é incorruptível, ou seja, nunca dê dinheiro em uma igreja achando que isso te dá direito bênção. Pois os milagres e maravilhas de Deus são imerecidos e Deus dá a cada um conforme os propósitos do próprio Deus na vida de cada um. Quando Deus entrega uma bênção é porque chegou o momento, e se Deus não entrega é por dois motivos, ou a pessoa não deve recebe-la para o seu próprio bem, ou porque não é chega a hora. Muitos são os cristão que acham que tem o direito de exigir as bênção, e há muitos pastores que incentivam tal conduta, creia, exija Deus vai te dá. O que fere um princípio bíblico:
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. Lucas 4:12
Para onde vai o seu dízimo?
Igreja Universal do Reino de Deus
Mansões, Redes de TV (RECORD), de Rádio, Jatinhos e todos os luxos necessários para PREGAR A PALAVRA DE DEUS. Veja uma das mansões do Edir Macedo – ele construiu uma casa com 2.000 metros quadrados em Campos do Jordão, veja algumas fotos.

Calma, tem mais. Quer ver o jatinho do Edir Macedo? Nós colocamos aqui. Custou a bagatela de 90,8 milhões de reais. Com muito luxo, logicamente. Você deve lembrar que na Bíblia diz : Pregue com muito luxo . Não lembra? Pois é, deve ser porque não existe e  Jesus nunca usufruiu de qualquer tipo de luxo para dar as boas novas. Alias, a Bíblia toca nesse ponto constantemente: HUMILDADE.
Assembléia de Deus vertente Vitória em Cristo
Mansões, limousines, aviões… cada pastores líderes de Malafaia ganham, em média, R$ 20 mil por mês. Vamos ver o avião que o Malafaia comprou. Um Avião é tudo que você, filho de Deus, precisa para pregar a palavra, não é? E afinal, o que são 12 milhões para uma Igreja que lucra na casa dos milhões por  mês?
E nos congressos evangélicos para pregar a palavra? Ele cobra só R$250 reais a entrada (palavrinha cara essa heim!) e chega de Limousine, que o aluguel custa R$ 7000 reais ao dia.
Igreja Mundial do Reino de Deus
Iiiii…. esse Valdemiro compete com o Edir Macedo para ver que compra mais coisas para si em nome da Igreja. Já tem jatinho de R$48 milhões de reais, helicóptero, fazenda de 11.054 hectares que vale R$20 milhões, mansões aqui e lá no exterior.
Bem investido o dinheiro do seu dízimo, não? Ele perde as igrejas mas não perde a chance de comprar umas cabeças de gado.
Igreja Internacional da Graça de Deus
E o nosso amigo do cambalacho RR Soares? Bem, ele também tem o seu jatinho: o King Air 350, de R$ 8,6 milhões de reais:
Pastor R.R. Soares compra avião de R$ 8,6 milhões
Lembrando que RR Soares e Edir Macedo tem passaporte especiais de diplomatas e que, tempo atrás, descobriram que as suas esposas também tinham ….. conseguiram de forma “irregularmente”, se é que você me entende….
É porque dá certo que aparecem igrejas evangélicas por todos os lados agora
O negócio de enriquecer com o dízimo e não pagar impostos dá muito certo, tanto, que hoje brotam igrejas evangélicas por todos os lados. O mais interessante é a criatividade para escolher os nomes das igrejas:
“Igreja Cristo é show”
“Igreja da Serpente de Moisés que Engoliu as Outras”
“Igreja Evangélica Florzinha de Jesus”
“Igreja Pentecostal Barco da Salvação”
“Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo”
“Igreja Menina dos Olhos de Deus”
“Bola De Neve Church”
“Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado”
“Igreja E.T.Q.B. (Eu Também Quero A Bênção)”
“Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica”
“Igreja Evangélica Ligação Direta com o Paraíso.”
“Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta”
“Igreja Assembléia de Deus do Papagaio Santo que Ora a Bíblia
“Associação Evangélica Fiel até Debaixo d’Água”
“Congregação Anti-Blasfêmias”
“Igreja Bailarinas da Valsa Divina”
“Igreja Congregacional Exigimos a Graça de Deus”
“Igreja Batista Pronto-Socorro das Almas”
“Congregação Cristã dos Fiéis Vencedores Salvos da Macumba”
“Igreja Assembléia de Deus Botas de Fogo Ardentes e Chá”
Ok, mas o que eu e você que não somos evangélicos temos a ver com tudo isso?
Você deve estar pensando que não sendo evangélico ou sendo um ateu não tem nada a ver com isso, não é? Você sabe o que um Estado Laico? Estado Laico (ou Secular) é um estado oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. Um estado secular trata todos seus cidadãos igualmentes independentes de sua escolha religiosa e não deve dar preferência a indivíduos de certa religião. O Estado secular deve garantir e proteger a liberdade religiosa de cada cidadão. Se você não sabia, vai ficar sabendo a partir de agora, o Brasil é um Estado Laico. Mas, por incrivel que pareça, em pleno 2012, o nosso país está cada vez mais próximo de se tornar um Estado Teocrata.
O cenário é simples: as Igrejas Evangélicas crescem, porém, para continuarem a suas expansões, elas precisam de parte do Poder Estatal. É necessário que se criem leis que as favoreçam. Para isso, elas apoiam e patrocinam as candidaturas dos políticos, para que esses defendam seus interesses perante o Estado. São desses interesses que surgem projetos de leis como a PEC 99 , entre outros que pretendem igualar o poder das Igrejas ao Poder Estatal. Fora isso, já é previsto a candidatura do Bispo Edir Macedo para Presidente de República em 2018, quando os índices de evangélicos por habitante estarão próximos a 50% dos brasileiros. Já imaginou o inferno?
PEC 99 – um exemplo do que teremos que encarar
Falamos da PEC 99/2011 que “dispõe sobre a capacidade postulatória das Associações Religiosas para propor ação de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade de leis ou atos normativos, perante a Constituição Federal”.
Para entender melhor a questão, devemos ir à Constituição Federal e consultar quem são as instituições capacitadas a questionar junto ao STF a (in)constitucionalidade de algum dispositivo. Estas estão listadas no artigo 103 de nossa Carta Magna, que diz:
“Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade:
I – o Presidente da República;
II – a Mesa do Senado Federal;
III – a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI – o Procurador-Geral da República;
VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII – partido político com representação no Congresso Nacional;
IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.”
Fonte: Planalto
Este conjunto de legitimados acima é quem, dentro do Estado brasileiro, estão aptos para o controle de constitucionalidade de normas jurídicas junto ao STF, propondo ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) e ADECON (Ação Declaratória de Constitucionalidade). Esse status é conferido a este grupo restrito por sua posição de importância dentro do Estado Brasileiro. Nesse conjunto está caracterizado que alguns tipos de entidades representativas podem usar deste instrumento, como a Confederação Sindical e a Entidade de Classe. Porém, não é tão simples como aparenta ser.
Para a existência de uma Confederação Sindical, é necessária a união de três federações sindicais, que, por sua vez, consistem na união de cinco sindicatos. Já a Entidade de Classe deve ter base social e estar representada em nove Unidades da Federação. As duas entidades só poderão propor quando demonstrarem ligação entre seus interesses e o conteúdo da norma questionada. Estas restrições demonstram o tamanho da responsabilidade para a proposição de uma ADIN ou ADECON para que estas não fiquem banalizadas .
A PEC 99 traz outro tipo de entidade representativa. A Associação Religiosa é quando uma denominação ou grupo religioso tem reconhecimento perante a lei com caráter representativo e seus respectivos estatuto e ata de fundação registrados em cartório.  O Novo Código Civil confere personalidade jurídica às organizações religiosas (entre elas a Associação) e  estabelece, no §4º do artigo 44, que “são livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos necessários ao seu funcionamento” (LEI No 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002.). Logo, a associação religiosa possui um privilégio de se organizar sem que o Estado possa nega-lhe o reconhecimento de sua criação por qualquer motivo que seja, graças ao lobby evangélico em 2003 (A Reação dos Evangélicos ao Novo Código Civil).
Por aqui vemos que há a facilidade irrestrita destes grupos se organizarem, muito diferente dos requisitos estabelecidos para as Confederações Sindicais e Entidades de Classe. Além do perigo de inúmeras associações religiosas surgirem com este propósito (algo que por si só já caracteriza um privilégio e um descompasso com a Constituição), há a oculta pretensão deste projeto: os ataques aos direitos das minorias.
Um Estado Laico com Bancada Evangélica 
As bancadas conservadoras no Congresso Nacional nunca foram tão grandes em número e em influência quanto atualmente. A Bancada Ruralista, por exemplo, conseguiu aprovar no Senado, dia 6 de dezembro de 2011, o novo Código Florestal, acusado por ambientalistas de dar brechas e até mesmo incentivar o desmatamento de vegetação nativa, em prol do agronegócio. Foram 59 votos a favor e 7 contra e, a partir de agora, o texto volta para a Câmara, para a apreciação das alterações feitas pelos senadores, para depois ser encaminhado para a sanção da presidenta Dilma.
Porém a bancada que mais tem conseguido projeção neste mandato talvez seja a Bancada Evangélica. Segundo dados da própria Frente Parlamentar Evangélica, nas eleições de 2010, a bancada cresceu de 46 deputados (9% do total da Casa) para 68 deputados (13,2% do total), um crescimento de mais de 50%, se comparado ao tamanho da bancada no mandato anterior. No Senado, a bancada conta atualmente com 3 representantes: Walter Pinheiro (PT-BA), Magno Malta (PR-ES) e o bispo Marcelo Crivella (PR-RJ).
Se fossem comparadas às bancadas dos partidos, a Evangélica seria a terceira maior do Congresso, atrás apenas das do PT e do PMDB, e empatada com o número de parlamentares do PSDB. A força do grupo, liderado principalmente por religiosos e representantes da Assembleia de Deus, mostrou-se já durante a campanha, quando pautaram, juntamente com os membros da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a questão da legalização do aborto na agenda dos candidatos à presidência.
A atual distribuição dos membros das bancadas por partidos é a seguinte:
A bancada evangélica tem feito o monitoramento de 368 projetos da Câmara e do Senado, a maioria referente a questões de direitos individuais, e agido não de acordo com o programa dos seus partidos, legalmente constituídos e pelos quais foram eleitos, mas sim pelas orientações religiosas a que professam.
O último caso a chamar a atenção foi o Projeto de Lei nº 1.763/2007, que prevê o pagamento de um salário mínimo durante 18 anos para mulheres vítimas de estupro, para que mantenham a gravidez e criem seus filhos. O PL criada pela bancada ainda tem outro ponto bastante polêmico: a ideia de que psicólogos de orientação cristã atendam as mulheres vítimas de estupro, na tentativa de convencê-las sobre a importância da vida e de manter a gravidez. Tudo, obviamente, pago pelo Estado. Porém o próprio Código de Ética dos profissionais de Psicologia veta a indução a “convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual”.
Desde 1940, o artigo 128 do Código Penal permite a prática do aborto em apenas dois casos: se não há outro meio de salvar a vida da gestante (aborto terapêutico), ou se a gravidez resulta de estupro e há consentimento da gestante (aborto sentimental).
A ex-Ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, disse em entrevista ao Estadão que a proposta “é retrocesso, uma proposta sem cabimento, equivocada desde o começo. Nós apoiamos a liberdade de escolha da mulher”.
Na mesma reportagem, a advogada Samantha Buglione, do Instituto Antígona e das Jornadas Pelo Direito de Decidir, afirma que “Há uma dificuldade em compreender que o Estado democrático surge para assegurar a liberdade de crença da população. Há uma confusão no entendimento de alguns parlamentares entre direito e moral, entre religião e política pública.”
Gráfico por João Victor Moura
Outro ponto fundamental da plataforma da bancada evangélica é a questão relacionada aos direitos da comunidade LGBTT. Vários já foram os ataques da bancada. O primeiro a criar polêmica diz respeito ao Kit anti-homofobia, erroneamente chamado pela bancada de “Kit gay”. O material do Ministério da Educação seria distribuído entre escolas de ensino médio, buscando esclarecer questões a respeito da diversidade sexual e, assim, diminuir os preconceitos dentro das escolas e da sociedade. Os parlamentares da bancada evangélica, no entanto, ameaçaram não votarem mais nada até que o kit fosse recolhido e, se a presidenta Dilma aprovasse o material, iriam convocar o então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, para prestar depoimento sobre seu rápido enriquecimento. A “chantagem” deu resultado e a presidenta mandou suspender o kit, chamando-o de “inadequado”.
A bancada agiu da mesma forma frente ao Estatuto do Juventude, aprovado na Câmara no dia 05 de outubro. O texto prevê, entre outras coisas, o pagamento de meia-entrada para os estudantes na faixa etária de 15 a 29 anos no transporte público e em eventos artísticos, culturais e de entretenimento em todo o território nacional (As atuais leis sobre a meia-entrada são de âmbitos estaduais e municipais). O ponto atacado pela bancada evangélica, no entanto, foi o que diz respeito ao tratamento de temas relacionados à sexualidade nos conteúdos escolares. O projeto do Estatuto da Juventude só seguiu adiante, para a apreciação do Senado, após a relatora, Manuela D’Ávilla (PCdoB – RS), acrescentar ao texto um adendo dizendo que o tema seria tratado “desde que respeitado a diversidade de valores e crenças”.
Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou com unanimidade a união homoafetiva estável e, em outubro, o Supremo Tribunal da Justiça (STJ) aprovou o primeiro casamento homoafetivo, abrindo precedentes para a prática seja adotada em todo o país. A Frente Parlamentar Evangélica (Associação civil de natureza não-governamental, constituída no âmbito do congresso nacional, integrada por deputados federais e senadores da República), na pessoa do seu presidente, o deputado João Campos (PSDB-GO), entrou com um pedido de inclusão na legislação brasileira de um dispositivo que impeça que igrejas sejam obrigadas a celebrar cerimônias de casamento entre homossexuais. Porém, a proposta parece infundada, visto que em nenhum momento a aprovação da união estável e do casamento homoafetivos interfere nas práticas religiosas. Em entrevista ao G1, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirmou que “Isso é desespero para confundir a opinião publica, para jogar união publica contra o direito civil. O direito é publico, a fé é privada. Nenhum homossexual quer casar em igreja”.
Estes são apenas alguns exemplos das medidas tomadas pela bancada evangélica na tentativa de vetar alguns direitos individuais, principalmente aqueles relacionados à liberdade sexual.
Gráfico por João Victor Moura
Os membros do Poder Executivo, vereadores, deputados estaduais ou federais, senadores, juízes de Direito, juízes federais, desembargadores, ministros de tribunal superior e presidente têm a obrigação que exercer suas funções de acordo com os princípios fundantes do Estado; Como a Laicidade é garantida por Constituição, os representantes do poder público deveriam agir em defesa da separação do Estado das Religiões. Porém não é isso que temos observado na prática.
Pensando nisso, a procuradora em Brasília do município de São Paulo, Simone Andréa Barcelos Coutinho, defende uma reforma no código eleitoral que acabe com as bancadas católicas e evangélicas no Congresso Nacional. Para ela, é inconcebível que em um Estado Laico existam partidos que tragam em seu nome a palavra “Cristão”, por exemplo. (Leia o artigo completo da procuradora Simone Andréa Coutinho clicando AQUI)
A medida pode parecer um tanto drástica, mas se formos analisar as falas dos atuais parlamentares que compõem a bancada evangélica, como o deputado federal Henrique Afonso (PT-AC), que disse: “O Estado deve garantir o que pensa a maioria e acredito que a maioria dos brasileiros acredita no que Deus prega, que é o direito à vida. Não posso separar o deputado do cristão”, notamos o quanto o debate é pertinente e urgente.
A consolidação do Estado Laico – garantido na nossa Constituição, mas como vimos, bastante frágil em sua prática – não é importante apenas para a comunidade LGBTT. Sua consolidação vem favorecer os praticantes de todas as religiões ou de nenhuma delas, que têm dessa forma asseguradas a sua liberdade de crença e de descrença.
Como diz a procuradora Simone Andréa Coutinho:
“O pluralismo, por si só, é incompossível com qualquer forma de união entre o Estado e qualquer religião, pois aquele significa a tolerância e o respeito à multiplicidade de consciências, de crenças, de convicções filosóficas, existenciais, políticas e éticas, em lugar de uma sociedade em que as opções da maioria são impostas a todos, travestidas de “bem comum”, “vontade do povo”, “moral e bons costumes” e outros. (…)
O Estado laico respeita e tolera, pois, a diversidade de crenças de toda sorte. Mais do que isso, atua em obediência necessária ao pluralismo de consciência, de crença, de culto ou de manifesta ausência de sentimento ou prática religiosa. Sobretudo, um Estado laico e pluralista conduz seus negócios, pratica seus atos e define o interesse público com total independência de qualquer religião, grupo ou sentimento religioso, ainda que francamente majoritário. (…)
A Constituição da Republica Federativa do Brasil determina que “ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. 5º, inc. II). A religião, assim como a tradição, a ninguém obriga.”
Que forma toma esse quadro no futuro?
Se seguirmos essa tendência, é provável que o Brasil se aproxime muito de um Estado Teocrata  como o Irã, ou mesmo, vire um. Você, eu, seu vizinho, seu amigo e quem mais pisar nesse território vai ter sua liberdade caçada. Censuras, proibições e preconceitos vão virar lei! Os ateus e os devotos das demais religiões não-cristãs  só podem esperar o pior havendo o estabelecimento do Estado Teocrata .
E isso que acontece quando você não toma partido por em uma questão. Quem imaginaria em 1990 que chegaria a esse ponto? Temos que exigir das autoridades que as Igrejas sejam consideradas empresas. Afinal, se portam como uma, não? Já está na hora de elas seguirem todas as normas legais que uma empresa segue! É limitando o poder dessas entidades que voltaremos a solidificar o equilíbrio.
Também sou a favor de acabar com partidos evangélicos e católicos. Somos um Estado Laico e devemos nos portar como tal!
Antes que apareça um chorão
Sim, a Igreja Católica também tem culpa na cartório. Sempre teve. Hoje a Igreja católica é mais contida mas não precisamos ir para um passado distante para ver o que ela era capaz de fazer, ou precisamos? Além do que, já é conhecido o lobby da Igreja Católica aqui no Brasil para tentar frear o crescimento dos evangélicos de maneira suja para não perder o seu rebanho, ou seja, din din.
A Igreja Católica fez muitos lobbies para frear não só as Igrejas, mas também, para acabar como muitos direitos. Sem falar em todo aquele luxo que o papa vive e os bancos e empresas e propriedades do Vaticano. A verdade, caro leitor, é que toda Igreja tem a sua imagem manchada com a lama do dinheiro e a maioria visam lucros, tais como empresas.
Você tem toda liberdade de acreditar em Deus ( ou não acreditar), ninguém deve obrigar você a crer ou ignorar determinada crença, você tem o livre arbítrio, quem escolhe é você! E assim deve continuar, ou pelo menos espero que continue, com o Brasil sendo um estado laico e soberano.
Particularmente, eu acho um abuso, uma total extorsão o que esses dirigentes dessas Igrejas Evangélicas fazem com o seus fiéis. Exploram a ignorância de um povo sofrido. Mas é a escolha de cada um, querer ou não contribuir com o enriquecimento de pastores. Entretanto, quando esses entes passam a influenciar na política e querer mudar o meu país, aí a História é outra. Extrapolaram os limites! Não esperem que eu fique calado mas eu espero que você que esteja lendo isso também se pronuncie. É uma questão urgente, ou fizemos retomamos o equilibrio que a neutralidade traz agora ou quem sabe, em 2018 teremos o Edir Macedo como Presidente e o fim da laicidade no Brasil! E se o nosso amado país já anda “capenga” com esses políticos parasitas sugando o dinheiro do povo, imagina com políticos pastores dizimistas parasitas no poder.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O legado da religião



O que a religião tem nos dado.

O FANATISMO
Todas as grandes religiões monoteístas possuem a semente endógena do fanatismo. A religião moderada é a mãe do fanatismo religioso. A ideia trágica da celebração da religião está em combinação com a ideia de possuir o direito de forçar a todos os demais; tem sido a principal causa para a guerra, a morte e o sofrimento humano durante séculos em nossa história, e desgraçadamente ainda o é hoje.

OS SUICIDAS
Alguém já ouviu falar de terroristas suicidas ateus? Ou dos ferozes partidários das leis de Kepler ou dos ensinamentos de Confúcio, dos ferozes seguidores da filosofia de Aristóteles ou da Teoria da Evolução de Darwin; ou viu estes voarem pelos ares em áreas populosas para promover suas ideias? É necessária a religião para convencer pessoas a se explodirem e a transeuntes inocentes em pedaços e, ao mesmo tempo crer que este ato é uma coisa boa para defender suas ideias.

MARTIRIO
A ideia de tirar sua única vida na Terra por causa de promessas de uma duvidosa vida espiritual futura. Por estranho que pareça, nunca são os líderes religiosos os que ansiosamente aproveitam essa oportunidade de felicidade instantânea. Não, os dirigentes sempre parecem desejar que outros experimentem essa alegria do martírio.

A GUERRA E O GENOCIDIO A guerra e o genocídio têm suas raízes nas diferenças religiosas. A história nos oferece exemplos incontáveis e as diferenças religiosas tristemente seguem sendo uma parte básica na definição de muitos dos conflitos atuais.

A INTOLERÂNCIA ABSOLUTA
A intolerância absoluta é particularmente forte nas religiões monoteístas onde todos insistem na exclusividade religiosa. Segundo eles só há um Deus e, portanto todas as demais religiões não são somente falsas, mas também devem ser destruídas. “Porque quem não é contra nós,é por nós.” (Marcos 9,40). A intolerância religiosa tem sido a razão dominante para a guerra, o sofrimento e a morte durante milênios.

A MORTE EM NOME DE DEUSES FICTICIOS
A ideia de que se você acredita em contos de fadas obtém uma licença para punir, perseguir e queimar outras pessoas em nome de uma divindade fictícia. Esta é a ideia fundamental para as religiões abraâmicas e tem sido executada com alegria e paixão pelos religiosos através da história. Infelizmente, a idéia ainda está muito viva na mente dos crentes de hoje.

INQUISIÇÃO
Formar uma grande organização, apenas para criminalizar, perseguir, torturar e queimar a outros seres humanos por causa das diferenças de opinião sobre como interpretar alguns textos confusos e ambíguos da Idade do Bronze do Oriente Médio, é algo que somente pessoas religiosas podem fazer.

CAÇAS ÀS BRUXAS
Foi a uma religião que ocorreu a idéia da existência de "bruxas", uma ilusão de que certas pessoas (principalmente mulheres) podem fazer magia e feitiçaria. Como todos sabemos somente os líderes religiosos estão autorizados a fazer essas coisas.

CRUZADAS
Campanhas de guerras iniciadas e travadas principalmente por motivos religiosos (ou seja, fictícios).

O CRIME DE TER UMA CRENÇA DIFERENTE
A ideia de que se alguém tem um sistema de crenças diferentes, ou o seu próprio critério de crença, este é um crime punível com a morte. Acima de tudo, ter um amigo imaginário diferente no céu é motivo suficiente para matá-los. Um toque divertido é que cristãos e muçulmanos chamam-se de infieis e dividem o mesmo deus, que por sua vez é roubado dos judeus e que também são infieis aos seus olhos. Bem, se você é suficientemente religioso, esses detalhes não são importantes, obviamente.

EMBRUTECIMENTO DA POPULAÇÃO
Manter a população na ignorância e fomentar o pensamento supersticioso. O principal papel da religião na sociedade ao longo dos séculos tem sido o de produzir uma população analfabeta quando se trata de um pensamento crítico e, portanto, receptáculo para qualquer tipo de disparate científico e charlatanismo médico. Uma população em que idéias cômico-supersticiosas e infantis são levadas a sério prospera, graças à adoção e doutrinação religiosa nas escolas públicas, mídia e na vida pública.

ENFRAQUECIMENTO DO DESENVOLVIMENTO MENTAL
A educação religiosa enfraquece o desenvolvimento mental de crianças e adultos, resultandoem um baixo desempenho intelectual, o que facilita para tirar seu dinheiro e contribuir comqualquer charlatão ou autoproclamado profeta e qualquer filosofia maluca.

O CONCEITO DE HERESIA E DE HEREGES
A idéia de ter outro ponto de vista sobre o que realmente pensa seu amigo invisível de mentirinha é um crime que merece a pena de morte.

O CONCEITO DE PECADO
A idéia de dizer que você deve sempre se sentir culpado por ter nascido, por ser humano. Você nasceu em pecado, e como um pecador, e Deus está zangado com você, mas você pode ser mais feliz se sofrer e ter uma vida miserável, ou melhor, fazendo com que outras pessoas sofram em seu nome.

COMBATER O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE
Em todas as sociedades onde a religião conseguiu o poder político utilizou todos os meios possíveis para lutar contra a produção científica, social ou política de desenvolvimento que há melhorado nossa compreensão da natureza ou tratar de dar às pessoas uma vida melhor e mais longa. A imutabilidade dos dogmas das religiões não pode ser questionada ou anulada.Qualquer conhecimento ou descobrimento que seja suspeito de interferir com os ensinosreligiosos têm sido reprimidos e perseguidos. As religiões se baseiam na fé cega e qualquer questionamento e dúvidas são obras de Satanás e devem ser afastados.

A DESTRUIÇÃO DO CONHECIMENTO
A destruição de enormes quantidades de escritos e conhecimentos importantes dos filósofos “pagãos” da antiguidade. A Igreja substituiu na antiguidade os avanços na matemática, filosofia, medicina e ciências naturais, etc, com estudos confusos e “conhecimentos” de tribos ignorantes da Idade do Bronze sentados em suas tendas adivinhando como funciona o mundo ao seu redor e como chegaram a existir. Muitas das nossas escolas e universidades de hoje se desenvolveram de mosteiros "Escolares" e sua maior parte baseada principalmente em estudos sobre as Escrituras. Na realidade as escolas já existiam nos tempos antigos, muito antes de o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. O sistema de transferência de conhecimentos de um professor a um aluno é tão antigo quanto à própria humanidade. Depois que a igreja chegou ao poder no século IV, o conteúdo e o valor desse conhecimento se transformou na maior parte em lixo até o Renascimento, quando a religião perde o seu monopólio sobre oconhecimento.

A IDEIA DE QUE BÍBLIA CONTÉM A “VERDADE”.
A religião nos deu o pensamento de que um livro com confusos e labirínticos escritos religiosos de escritores anônimos, compilado e editado por desconhecidos editores religiosos através dos séculos - contém a verdade suprema. Apesar do fato de que qualquer afirmação feita por este livro, que possa ser experimentada e testada, provou ser totalmente errada.

CONFUSÃO SEMÂNTICA
No jargão religioso contos de fadas religiosos são fatos históricos, os mitos são verdadeiros, o preto é branco, a morte é a vida e o ódio é o amor.

NOSSOS CORPOS E NOSSA SEXUALIDADE SÃO SUJOS
Trouxe a ideia de que nossos corpos e nossa sexualidade natural são algo ruim e sujo, algo demoníaco que deve ser combatido. Você evidentemente, só se torna um homem saudável e bom quando morre. Esta ideia estranha e ilógica da morte é comum nos cultos e nas religiões abraâmicas.

DEUS AMA QUEM SOFRE
Pensar que a penitência, a dor, o sofrimento, a humilhação, a submissão, a autodestruição e oasceticismo fazem com que seu “Amoroso” Deus te ame mais. Punir a si mesmo para agradar ao seu amigo invisível no céu, é geralmente classificado como um distúrbio psiquiátrico grave,a não ser, claro, se feito em um contexto religioso. Neste caso considera-se até mesmo uma coisa divina.

AS MULHERES SÃO INFERIORES
Pensar que as mulheres são inferiores aos homens, e de valor muito menor. É um conceito curioso, especialmente porque os seres humanos como uma espécie não existiria sem os dois sexos. A ideia é a prova evidente de que as religiões abraâmicas são os frutos de fantasias masculinas infantis e megalomaniacas, fermentados durante gerações pelo baixo desempenho intelectual do homem ingênuo (crentes). O porquê de muitas mulheres ainda quererem fazer parte destas religiões patriarcais bizarras e misóginas, é incompreensível.

DEUS QUER SABER DA SUA PRIVACIDADE
A noção de que o que os adultos fazem em suas habitações privadas é de suma importância para Deus Porque isso é importante para o ser mais alto não é totalmente claro. Se dois sereshumanos desejam encontrar prazer corporal juntos em seus aposentos privados, parece que oSenhor Todo Poderoso, e muitos de seus representantes na terra, ficam muito chateados e perdem a cabeça. Que relevância e consequências tão graves pode ter um comportamento altamente privado entre indivíduos adultos para o Todo-Poderoso e seus representantes na terra não é algo totalmente claro. As pessoas não nascidas são muito mais importantes que asnascidas. É por isso que os fanáticos religiosos se opõem ao aborto e podem matar os médicose as mães em nome de uma massa de células, que obviamente é uma consequência direta do pecado original ou da proibição do Papa ao uso de camisinhas.

A ORAÇÃO
A ideia absurda da oração, onde Deus deveria mudar as leis do universo só para ti.

CLERO
Aceitação de que algumas pessoas escolhidas, segundo eles mesmos, são melhores para transmitir os pensamentos íntimos, à vontade e opiniões de um ficticio ser supremo, e ainda levar a sério essas pessoas como adultos.

HORDAS DE DOENTES MENTAIS
Uma grande quantidade de devotos religiosos que esperam a morte e a chegada do fim domundo.

A CRENÇA EM FÁBULAS DEVER SER NORMAL
O fato de que pessoas adultas podem expressar ideias infantis e completamente estranhas sobre espíritos e feitiços, e ainda serem levados a sério e considerados como cidadãosresponsáveis e pais.

A DESTRUIÇÃO DA INTELIGÊNCIA INFANTIL
Pensar que as crianças se beneficiam por ter suas mentes contaminadas com ideias dementes que são desde muito tempo refutado pela ciência.

HUMOR NEGRO
No lado positivo, a religião tem sido uma fonte inesgotável de ideias loucas, histórias bobas, engraçadas, cerimônias, feitiços e hordas de ridícula superioridade moral; os crentes arrastando-se pomposamente como cães assustados abusados pelo seu proprietário imaginário no céu. Por essas bobagens nós poderíamos estar rolando no chão de rir, não fossem por todos aqueles milhões de vidas perdidas pelas cruzadas religiosas, inquisições, guerras, tortura, etc., ao longo dos últimos dois milênios, dando este rir um gosto ruim na boca.

Fonte: Coleção Fábulas Bíblicas 3: A Farsa do Espírito Santo

sábado, 30 de junho de 2012

EU SEI: O domínio silencioso do fanatismo




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“…todos os crentes parecem escandalosos e indiscretos: procura evitá-los” (Nietzsche)
Em nossa época, supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo, vem do latim fanaticus, quer dizer “o que pertence a um templo”, fanum. O indivíduo fanático  ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um líder mundano, uma causa suprema ou uma fé cega. O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais  que visa  servir à um ser  poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo demônio”, “combater as forças do Mal” ou “salvar a humanidade” do caos.
Tendo origem no dogma religioso, o fanatismo não se restringe a esse campo único; existe fanatismo por uma raça, um time de futebol, por um partido político, sobretudo por ideologias revolucionárias quando extrapolam a dimensão racional, sentindo-se guiada pela “fantasia da escolha divina”.  Foi fanatismo religioso que fez muitos seguirem Jin Jones (Templo do Povo), Asahara (Verdade suprema), David Koresh (Ramo davidiano), Jo Dimambro (Templo Solar) e tantos outros místicos ou charlatães que terminaram causando tragédias coletivas, noticiadas no mundo todo. A história conheceu também os histerismos coletivos da “caça as bruxas”, a perseguição aos negros, índios, comunistas, homossexuais, prostitutas.  O movimento da Jihad islâmica contra os “infiéis do ocidente” e a “guerra aos terroristas” do ocidente cristão, demonstram que o fanatismo está vivo e atuante em nossa época supostamente “científica” e “tecnológica”. Precisamos admitir que, a história da humanidade é também a história dos vários fanatismos dominando grupos humanos, sempre com conseqüências trágicas. Esse pedaço da história renegado nos causa vergonha, medo e sinalizam alertas para possíveis efeitos negativos no rumo da civilização.
Como dissemos, o fanatismo atua para além do efeito religioso, mas não extrapola ao campo ideológico como um todo. Há fanatismo entre crentes de todo o tipo, do menos ao mais irracional. Mas, não existe fanatismo racional, em que pese o fato de um certo tipo de razão (instrumental, cínica, etc) também ter cometidos os seus desatinos e crimes. Assim, para o fanático religioso, não basta adorar um Deus visto como Senhor absoluto, é necessário ser soldado dele na terra, lutar pela causa superior, pregar, exorcizar, forçar os “infiéis” ou “divergentes” à conversão absoluta, à qualquer preço. O fanático está sempre disposto a dar provas do quanto sua causa suprema vale mais do que as próprias vidas: dele, de sua família ou mesmo de toda a humanidade. Ele mata por uma idéia e igualmente morre por ela.
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Os sintomas do fanatismo
Os sintomas do fanatismo, em grupo, são: orações, privações, peregrinações, jejum, discursos monológicos e martírios que podem terminar com o sacrifício da própria vida visando salvar o mundo das “trevas” ou do que ele entende ser “o mal”.
O fanático não fala, faz discursos; é portador de discursos prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso ou a inculcaçãopolítica de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento, tomado sempre como revelação da “ira de Deus” ou “a inevitável marcha da história” ou, ainda, a suposta “superioridade de uns sobre os demais”. Faz discursos e não fala, porque enquanto a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo, da dialética, do discernimento da verdade, os discursos - especialmente odiscurso fanático - fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo divinizado; servir ao desejo divino e à produção da repetição de algo já pronto, onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego) um porta-voz de um sistema de crenças moralistas carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o Bem.
Os textos sagrados, tomados literalmente, fornecem a sustentação “teórica” do discurso fundamentalista religioso; com ele, o indivíduo acredita, a priori, estar de posse de toda a verdade e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas, como confrontar com outro ponto de vista, ou desvelar outro sentido de interpretação, ou ainda, contextualizá-lo, etc. O fanático tem certezae isso lhe basta. Creio porque é absurdo, já dizia Tertuliano. Certeza para ele é igual a verdade. (Segundo Popper, no campo científico, a certeza nada vale porque é “raramente objetiva: geralmente não passa de um forte sentimento de confiança, ou convicção, embora baseada em conhecimento insuficiente”, já a verdade tem estatuto de objetividade, na medida em que “consiste na correspondência aos factos”, na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação. (Popper, 1988, p. 48).
O problema da religião não é a paixão “fé”, mas a inquestionalidade de seu método. O método de qualquer religião traz uma certezadivulgada em forma de monólogo, jamais de diálogo ou debate de idéias. O pastor, padre, rabino, ou qualquer pregador de rua, vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação; acreditam que “vale tudo” para difundir a “verdade única” que o tocou e o transformou para sempre! O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante, declarações, comunicados, que jamais se voltam para escuta ou o diálogo, exercício esse que faria emergir a verdade – não a “certeza”.
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Psicopatologia do fanatismo
Do ponto de vista psicopatológico, todo fanatismo parece ter relação com a fuga da realidade.  A crença cega ou irracional parece loucura quando se manifesta em momentos ou situações específicas, porém se sua inteligência não está afetada, o fanático aparentemente é um sujeito normal. No entanto, torna-se um ser potencialmente explosivo, sobretudo se o fanatismo se combinar com uma inteligência  tecnologicamente preparada. Fanático inteligente é um perigo para a civilização. O terrorismo, por exemplo, que atua com a única meta de destruir inimigos aleatórios é realizado por indivíduos fanáticos cuja inteligência é instrumentada apenas para essa finalidade. No terrorismo é uma das expressões do fanatismo combinado com uma inteligência tecnológico, mas totalmente incapaz de exercitá-la por meios mais racionais, políticos e legais. Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destruição deve ser a única linguagem possível e a construção de um novo projeto político-econômico, não está em questão, porque a realidade no seu todo é forcluída.
O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de “ter sido escolhido por Deus para uma missão “x”, já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose. Mas, seguindo o raciocínio de Freud, vemos que “aquilo que o psicótico paranóico vivencia na própria pele, oparafrênico experiência na pele do outro”, ou seja, somos levados a supor que o fanatismo está mais para a parafrenia que para a paranóia. Hitler, antes considerado um paranóico, hoje é mais aceito enquanto parafrênico,  pois seus atos indicam sua idéia fixa pela supremacia da raça ariana e a eliminação dos “impuros”; mais ainda, o gozo psíquico do parafrênico não se limita “ser olhado” ou “ser perseguido”, tal como acontece com paranóicos, mas sim se desenvolve “uma ação inteligente de perseguição e extermínio de milhares de seres humanos”, donde extrai um quantum de gozo sádico. Portanto, deve existir membros de um grupo de fanáticos paranóicos, mas certamente o pior fanático é o determinado pela parafrenia, pois visa de fato destruir em atos calculados “os impuros”, “os infiéis”, enfim, todos os que não concordam com ele.
Hitler e seus comparsas usaram de inteligência para inventar e administrar a chamada “solução final” contra os judeus, porém, antes de ser este um fato criminoso era uma exigência interna de seu próprio psiquismo. Na parafrenia vigora a compulsão de observar e atuar o ser do Outro como alimentador de seu delírio interno. O parafrênico “faz acting out em nome de…” e jamais assume seu ato criminoso, pondo a responsabilidade em alguém que para ele encarna o “mal”. Para sua “lógica”, as vítimas são os únicos responsáveis. É curioso observar que ontem os judeus se agarravam ao sacrifício do holocausto como modo de explicação da tragédia em que eram vítimas, mas hoje a ultra direita israelense, no poder, parece resgatar dos nazistas essa terrível idéia da “solução final” contra os palestinos. “Quem lutou muito contra dragão, também vira dragão“, diz um antigo provérbio chinês.
Os fanáticos pela “solução final” dos judeus, no Julgamento de Nuremberg, não se consideravam culpados ou com remorsos pelo extermínio coletivo. Goering, considerado o segundo homem depois de Hitler, tentou se defender segundo o princípio de sua lealdade e fidelidade para com o Führer; “cumprira ordens” e “nenhuma vez ele se considerou um criminoso”. Eis a “razão cínica”: a culpa pelo genocídio era dos próprios judeus gananciosos por dinheiro, não de seus carrascos nazistas. Os israelenses da “era Sharon” também não se responsabilizam pelos atos criminosos de Israel contra os palestinos generalizados como terroristas.
Se no fanatismo o sujeito inexiste para dar lugar ao Senhor absoluto e maravilhoso, então faz sentido não assumir a sua própria responsabilidade, porque ela é “obra do Senhor” [Werk de herrn.] ”o Senhor quer que eu faça“, “foi a mão de Allah“, etc. São mais do que frases, são efeitos de uma poderosa “fantasia da eleição divina” [sic!] onde o sujeito é nadificado para dar lugar ao discurso delirante da salvação messiânica. O mundo fanático foi dividido entre “os eleitos” e os que continuam nas trevas e que precisam ser salvos ou serem combatidos por todos os meios, pois “são forças do mal”.
O famoso caso Schreber, analisado por Freud, que acreditava ter recebido um chamado de Deus para salvar o mundo, que lhe era transmitido por uma linguagem particular – só entre ele e Deus – , tornou-se o modelo psicanalítico para se pensar a relação loucura e fanatismo. Como já dissemos, o fanatismo é sustentado por sistema de crença delirante, psicótico, dominado por uma autoridade absoluta e invisível (Deus ou a causa da “supremacia da raça ariana”, ou a “missão do povo judeu”, ou “a Jihad islâmica”, “ou salvar o mundo do diabo”, enfim, um significante posto no lugar “absoluto” que comanda a ação do grupo fanático,etc). Segundo a psicanálise, isso poderia apontar para a hipótese de um “complexo paterno” de origem.
A leitura lacaniana fala de “um buraco no Nome-do-Pai, que produz no sujeito um buraco correspondente, no lugar da significação fálica, o que provoca nele, quando é confrontado com essa significação fálica, a mais completa confusão. É  isso que desencadeia a psicose de Schreber, no momento em que ele próprio é chamado a ocupar uma função simbólica de autoridade, situação à qual só teria podido reagir com manifestações alucinatórias agudas, às quais a construção de seu delírio iria pouco a pouco fornecer uma solução, constituindo, no lugar da metáfora paterna fracassada, uma “metáfora delirante”, destinada a dar um sentido àquilo que, para ele, era totalmente desprovido de sentido”.
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Os primeiros sintomas de fanatismo e suas estratégias de sedução
O início de qualquer fanatismo consiste, em primeiro, reconhecermos um sujeito ou grupo estarem convictos, quando julgam de posse de uma certeza que recusa o teste da realidade. Nietzsche dizia que “as convicções são piores inimigas da verdade do que as mentiras”, porque quem mente sabe que está mentindo, mas quem está convicto não se dá conta do seu engano. “Oconvicto sempre pensa que sua bobeira é sabedoria“. Até no campo científico, há cientistas correndo o perigo de tornar-seconvictos de suas teses. Edgar Morin analisa que quando algumas idéias se tornam supervalorizadas e adquirem um caráter de grandiosidade e absolutismo tendem a levar os seus sujeitos a abdicarem de seu raciocínio crítico e se tornarem meros objetos dessas idéias. Indivíduos assim submetidos a tão grandes idéias, fazem qualquer coisa para “salva-las” de um possível furo de morte; elas funcionam como muleta existencial. Isso acontece principalmente no meio religioso, mas também pode ocorrer nos meios político, filosófico  e científico.
segundo sinal do fanatismo é quando alguém quer impor a todos de modo tirânico a “verdade” única extraída de sua inspiração ou crença absoluta. Pretende assim a uniformização via linguagem, através de aparência física, rituais e slogans do tipo: “O único Deus é Allah”, “só Cristo salva”, “Jesus Cristo é o Senhor”, “somos o Bem contra o Mal”, “Em nome do Senhor Jesus eu ordeno…” São expressões de caráter estereotipado, sustentado por uma “estrutura de alienação do saber”, onde o discurso passa a falar sozinho, é uma resposta que está no gatilho, pronta para qualquer emergência que o sujeito não quer pensarObservem o caráter tirânico, narcisista e excludente dessas afirmativas. Todos possuem uma visão que nega outros modos de crer e pensar. O mesmo acontece nos auto-elogios das pessoas de raça branca e o desprezo pelas outras como proclamam os fanáticos da extrema direita, nas ações violentas de uma torcida sobre a outra, todos, sinalizam que o indivíduo se rende ao grupo e este “a causa”. Os recém convertidos de qualquer seita religiosa ou política estão sempre convictos que, finalmente, contemplam a verdade e essa tem que ser imposta a todos, custe o que custar.
O terceiro indicativo de fanatismo, já dissemos, é quando uma pessoa passa a colocar uma causa suprema (podendo esta ser justa ou delirante) acima da vida dela e dos outros.
Quarto, quando um indivíduo e/ou grupo se isolam da convivência familiar e social e adotam um modo de vida narcísico (no igual modo de vestir, de cortar ou não cortar o cabelo, no jeito de falar, nas regras de comer, na ritualística, etc), enfim, quando uniformizam seu discurso, gestos, postura, atitudes em geral e punem os que se recusam a seguir as regras impostas. Entrar para um grupo de fanáticos implica em renunciar: pai, mãe, os filhos, os amigos, o lugar onde viveu, o trabalho, enfim, os membros são persuadidos a matarem os vestígios simbólicos da vida anterior para fazer renascer a vida em outra base moral e de fé.
Quinto, quando o indivíduo e/ou grupo perdem o bom-senso na lógica da comunicação e nas ações do cotidiano. O discurso passa a ser repetitivo e estranho à vida comum.
O sexto indício de fanatismo é quando se perde o sentido de respeito e humanidade para com os diferentes, em nome de uma causa transcendente.
psicólogo francês, J-M. Abgrael, resume o método de doutrinação fanática em 3 etapas: 1osedução das pessoas para a “causa”;2odestruição da antiga personalidade, eliminação dos elos familiares, sociais e profissionais e 3oconstrução de uma nova personalidade “renascida” ou “renovada”, de acordo com o modelo e as regras da seita.  Geralmente essa passagem da vida normal para a vida “renovada”, há um ritual, algum tipo de batismo, onde se inicia a adoção de um novo nome, novos hábitos, apresentação de novas “famílias”. Sentir-se incluso num grupo “de irmãos” ou “de luta pela causa” “é como estar apaixonado; surge uma sensação maravilhosa, tudo passa a fazer sentido na vida, a pessoa se sente acolhida e imensamente alegre”. O indivíduo passa a se ver se modo especial, diferente dos demais para realizar a missão elevada; se vê inundado por um sentimento grandioso que Freud chama de “sentimento oceânico”. Imagine um indivíduo desesperado, desgarrado de seu grupo social, sem uma forte identidade psicossocial cuja vida perdeu o sentidoao ser acolhido em um grupo fanático, recebe mensagens confortadoras, do tipo: “nós amamos você”, “você é muito importante para o projeto de Deus”, “você faz parte de nossa vida”, “Deus te ama”, etc Diz P. Demo (2001) “o sentimento de ser amado, move o entusiasmo mais do de qualquer coisa”.
Faz parte da estratégia para atrair pessoas para novas seitas e igrejas, investir em programas produzidos para solitários que sofrem insônia e depressão nas madrugadas. Os desesperados sentem-se acolhidos com tais palavras mágicas e facilmente se sentem inclusos e maravilhados pela ilusão de nova vida e sentimento extremo de felicidade,  numa igreja em que o fanatismo é o seu ponto cego.
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Todo fanático é intolerante.
fanatismo é a intolerância extrema para com os diferentes. Um evangélico fanático é incapaz de diálogo e respeito para com um católico ou um budista. Um fanático de direita não quer diálogo com os de esquerda. Organizações como a Ku Klux Klan são intolerantes igualmente com negros adultos, mulheres e crianças. Por isso se diz que há em cada fanático um fascista camuflado, pronto para emergir em atos de exclusão e eliminação.
semiólogo e filósofo italiano, Umberto Eco, reconhece que o protofascismo está presente nos movimentos fanáticos. No campo político, não importa auto denominar-se de “esquerda” ou de “direita” pode existir um protofascismo. No fundo os atos terroristas são produzidos e sustentados por fanatismos de inspiração místico-fascista incapazes de diálogo ou argumento racional que esclarece sua causa objetiva. Não é sem sentido que os atos terroristas deixaram de dizer algo pela palavra e passaram a ser apenas o ato, o acting out.  S. P. Rouanet diz que “os terroristas são agentes de uma ideologia religiosa extrema direita … que funciona como ópio do povo…” (A coroa e a estrela, FSP, Mais!, 18/11/01)
O fascismo, tanto o de Estado dos fundamentalistas religiosos, como o que está pulverizado nos atos do cotidiano das relações humanas, é fanático porque desrespeita, desconsidera, é intolerante quanto ao modo de ser, pensar e agir do outro, é tradicionalista-fundamentalista.  Enquanto o fascista “quer o poder pelo poder”, há o fanático “autêntico” que anseia dominar o mundo com sua crença, e o “fanático terrorista” que “deseja apenas destruir a estrutura de sustentação do inimigo”. Mas, ambos, o fascismo e o fanatismo não são compatíveis com a democracia. Ambos pregam intolerância multirreligiosa, a intolerância multicultural e multirracial e usam o espaço de liberdade democrática para espalhar o seu ódio e sua crença.
sentimento que no fundo sustenta o fanatismo e o fascismo não é a fé, nem o amor [Eros], mas o ódio [Thanatos] e a intolerância.O desejo do fanático “autêntico” é dominar o mundo com seu sistema de crença cheio de certeza. No plano psíquico, o lugar do recalque torna-se depósito de ódio e desejo de eliminar todos os que atrapalham o seu ideal de sociedade. Certa dose de paciência doutrinada o faz esperar-agindo para que a “idade de ouro puro” possa um dia acontecer.
São tão fanáticos os terroristas-suicidas muçulmanos como os fundamentalistas cristãos norte-americanos que atacam clínicas de abortos, perseguem homossexuais, proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin, obrigando aos professores ensinarem a doutrina criacionista tal como está na Bíblia, ou ainda, os protestantes da Irlanda do Norte que atacam crianças católicas ou os bascos que querem ser um país independente a qualquer preço, por meio do terror.
Alguns personagens “messiânicos” de nosso tempo, como Hitler, Idi Amin, Reagan, G. W. Bush, Sharon, os grupos dos martírios suicidas do Oriente Médio, entre outros, tem algo em comum: cada um se sente o escolhido para cumprir uma especial missão. Hitler discursou que “as lágrimas da guerra preparariam as colheitas do mundo futuro”. G. Bush, na sua ânsia de guerra contra o ditador S. Hussein, não estaria delirando no mesma linha ? Não é sem sentido que os EUA, tem sido o solo fértil de seitas cristãs fanáticas. Uma delas, A Casa dos Filhos de Jeová, torce para o mundo se acabar logo, porque seus membros acreditam que depois surgirá uma nova civilização do Bem.
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Fanáticos e suicidas carecem de humor
fanatismo parece ser uma doença contagiosa, pois tem o poder de atrair adeptos geralmente em crise profunda de vida pessoal. Fanáticos e suicidas tem em comum a falta de humor e o desapego pela própria vida. A certeza cega tira-lhes o humor e os colocam no caminho do sacrifício místico.
O escritor e pacifista israelense, Amós Oz, numa carta ao escritor japonês Kenzaburo Oe, Prêmio Nobel de 1994, escreve ter encontrado a “cura para o fanatismo”: o bom humor. Diz que: “nunca vi um fanático bem-humorado, nem alguém bem-humorado se tornar fanático”. Oz imagina uma forma mágica de prevenir o fanatismo: um novo tipo de messias que “chegará rindo e contando piadas”.
Emil Cioran, um filósofo amargo e pessimista, vê nas atitudes dos céticos, dos preguiçosos e dos estetas, os únicos que verdadeiramente estão a salvo do fanatismo. Já os religiosos estreitos, os políticos sectários, os dogmáticos que habitam em todas as áreas do conhecimento, tendem ao fanatismo com seus instrumentos próprios. O fanática jamais se pensa ser fanático .
Enfim, é preciso estarmos atentos e preparados para resistir os apelos do fanatismo que como erva daninha não escolhe lugar para germinar e se alastrar. Os grupos fanáticos exercem um atrativo para os indivíduos que possuem uma estrutura psíquica vulnerável, os desesperados, os desgarrados, os avessos ao espírito crítico ou predispostos à crendice, ao desejo de encontrar uma certeza e a se “contentar-se com pouco” na terra, porque ele tem certeza de que ganhará na suposta vida após a morte. Tanto o fanatismo como a guerra estão entre as situações que se encontram na contramão da sabedoria.
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Para prevenção do fanatismo
Freud, como pensador evolucionista, pensava que só quando a civilização ascendesse à maturidade psíquica é que descartaria os mecanismos infantis ou alienantes cuja matriz é a religião. Segundo o fundador da psicanálise, a religião infantiliza as pessoas e as arrasta ao delírio de massa. O homem não poderia viver nesse estado de infantilismo para sempre, daí a urgente necessidade de um projeto de uma “educação para a realidade“, que fortaleceria a vida intelectual, facilitando o acesso de todos ao conhecimento científico, por ser este verdadeiro. Ademais, a religião não fez e nem faz as pessoas felizes, mas, dá-lhes uma ilusão de felicidade; sem dúvida, ela tem o poder de controla os impulsos primitivos psicossexuais e proporciona alguma direção moral, que costuma ir além do necessário, ou seja, reprimindo o potencial criativo ou de prazer genuíno das pessoas.
Amós Oz, o escritor pacifista, sugere a criação de escolas em todo o mundo da disciplina “fanatismo comparado“. Tal disciplina não apenas serviria para entender os fanatismos: religioso, nacionalista, racial, político, desportivo, mas também outros que passam desapercebidos, como o “antitabagista” que poderia queimar os que fumam, o “vegetariano” que comeria vivo quem come carne, “o ecologista” que prefere salvar as baleias às pessoas famintas, etc. Uma disciplina como essa, teria uma função mais queeducativa, teria uma preocupação preventiva quanto a possibilidade de “contágio” social do fanatismo, já que pode-se pegá-lo ao tentar curar alguém desse mal.
.Texto extraído de www.espacoacademico.com
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Entrevistamos o Prof. Dr.  Sivio Mmax; Antropólogo e Professor na Universidade do Sagrado Coração – USC, de Bauru no interior de São Paulo:
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Silvio, como se define antropologicamente o fanatismo religioso?
Trata-se de um fenômeno estudado mais especificamente pela Sociologia e pela Psicologia da Religião do que propriamente pela Antropologia. Emprestando noções de outras ciências, podemos arriscar afirmando que o fanatismo religioso é uma síndrome que afeta a percepção e o julgamento do sujeito, que passa a rejeitar toda e qualquer ideia ou comportamento que não se adequa a um modelo ou interpretação religiosa em particular.  Assim, toda instituição ou pessoa divergente ou que não se amolda ao conceito eleito como absolutamente verdadeiro, passa a ser visto como inimigo e, portanto, digno de ser combatido. O fanatismo enquanto comportamento, não é típico de uma religião em particular, mas pode afetar seguidores de qualquer religião ou até mesmo membros de agremiações esportivas ou político-partidárias.
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Por qual motivo  algumas crenças aplicam o método da repetição em seus fiéis, incentivando-o, desde pequeno, a dizer que sabe que aquela instituição é verdadeira?
Esse processo é meio do qual um conjunto de valores e crenças pode ser introjetado na psique de um grupo de pessoas. Deste modo, o sujeito assume como próprios os conceitos e valores transmitidos pelo grupo. Uma coisa é certa: quanto mais nova for a pessoa, mais susceptível ela será a esses valores, crenças e ideologias, pois seu senso crítico ainda não está plenamente desenvolvido. 
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 Esse método prende o fiel impedindo que ele crie dúvidas acerca da veracidade daquela crença?
Em geral, a pessoa desenvolve uma tolerância a todos os preceitos ideológicos do grupo, evitando criticá-los, pois isso colocaria em “xeque” suas próprias crenças, além de causar mal estar e reprovação de seus líderes e demais companheiros que também fazem parte do mesmo grupo. O sujeito muitas vezes não exerce sua capacidade reflexiva porque parte do princípio de que seu líder conhece a verdade ou porque ele tem algum tipo de acesso privilegiado à “vontade divina”, o que colocaria essa pessoa em condição legítima de interpretar essa mesma vontade, ditando assim as regras para o comportamento do restante do grupo.
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Como a antropologia explica esse fenômeno?
Do ponto de vista estritamente antropológico, podemos dizer que o fanatismo e o fundamentalismo religiosos tem suas raízes no etnocentrismo, que faz o sujeito acreditar que sua cultura, seus crenças e valores são melhores, superiores ou mais verdadeiros que as crenças e valores de outros grupos ou etnias.
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Esse comportamento é destrutivo? É capaz de criar algum “monstro”?
O fanatismo geralmente apresenta desdobramentos nefastos como exclusão social, vandalismo e violência simbólica ou física contra um indivíduo ou contra grupos inteiros. O sujeito passa a apresentar comportamento irracional, intolerante, passa a ser susceptível a vários tipos de racismos, preconceitos e fundamentalismos, o que dificulta sua convivência harmoniosa com pessoas de grupos culturalmente distintos. 
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“Eu sei que esta igreja é verdadeira”
O “testemunho”, para muitos membros da igreja Mórmon, é alcançado por meio de uma oração, logo após das primeiras visitas de um missionário da igreja. Se você sentir um “frio na barriga”, é um sinal de que toda aquela instituição é verdadeira. Eles baseiam toda fé, toda a história, toda a doutrina, mediante ao sentimento “alegre e feliz” que sentiram no início; nenhuma duvida, nenhuma questão pode ser lançada em debate, nada que quebre a coroa de vidro dos reis e rainhas desse conto de fadas. Por pensarem ter esse contato direto com o próprio divino, atacam livremente quem descorda ou mesmo quem colocar em dúvida toda aquela “santidade”. As imagens de comentários apresentadas ao longo da postagem mostram a tamanha agressividade de algumas pessoas, que abrem barreiras do limite e do bom senso, a ponto de criar ameaças pessoais e físicas. Esta série mostra o poder destrutivo do “testemunho”, da fé cega do poder imaginário que pode causar danos destrutivos. Criando monstros em nome da fé.
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Referências bibliográficas
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BECKER, S. A fantasia da eleição divina; Deus e o homem. Rio de Janeiro: C. de Freud, 1999.
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CIORAN, E. Genealogia do fanatismo. In: Breviário da decomposição. Rio de Janeiro: Rocco, 1989, p.11-100.
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* Imagens retiradas a partir de cópias de comentários de membros da igreja SUD na página da nossa comunidade no facebook – Todos os direitos reservados ao www.humorexmormon.com
Agradecimentos:
Prof. Dr. Silvio Mmax
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