quarta-feira, 18 de julho de 2012

Grife cristã usava pessoas em condições análogas à escravidão



Oficina clandestina da Talita Kume
Na oficina insalubre  havia crianças e adolescentes
Fiscais da SRTE (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego) de São Paulo resgataram no mês passado oito bolivianos (havia mulheres entre eles) que confeccionam roupas femininas em condições análogas à escravidão para a grife coreana Talita Kume. 

O site da grife informa que a empresa foi criada em 2004 por uma família cristã e que o nome Talita Kume tinha saído da Bíblia.

logo da Talita Kume
O nome da grife foi tirado da Bíblia, de
uma fala de Jesus, em Marcos 5:41
“Estavam [integrantes da família] pesquisando nomes, quando em uma noite um dos sócios leu uma passagem da Bíblia que, coincidentemente, um outro sócio tinha lido na mesma noite: “E, tomando a mão da menina, Jesus disse: “Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te”. Marcos 5:41.

A sede da Talita Kume fica no Bom Retiro, bairro central de São Paulo. Os bolivianos moravam e trabalhavam em um sobrado na zona norte da cidade e eram controlados por um casal. Havia “talitas” (crianças e adolescentes) entre eles. Os portões da casa-oficina ficavam trancados.

As jornadas de trabalho eram exaustivas e o salário, uma miséria. Os bolivianos ganhavam R$ 1 por peça costurada. Os donos da oficina a repassavam à Talita Kume por R$ 3,80, em média. No dia em que houve a fiscalização, uma pessoa estava costurando um vestido que na loja é vendido na média de R$ 50.

Os fiscais contaram com o apoio do pessoal da Receita Federal, Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania, Receita Federal, Defensoria Pública da União, Ministério Público do Trabalho, Polícia Federal e Ministério Público Estadual. Foi uma operação que envolveu outras oficinas clandestinas.
A empresa está registrada com o nome de Confecções Talita Kume Ltda. Ela usava o trabalho em condições de escravidão havia pelo menos cinco anos.

A grife deletou hoje (13) em seu site a página onde expunha a sua "responsabilidade social". Mas a sua descrição ainda constava no Google: “A Talita Kume acredita que responsabilidade social deve estar no DNA de marcas que se preocupam com a sociedade. Por isso, apoia o Abrigo Livre Ser”.

Abrigo Livre Ser é uma organização não governamental mantida pelo pastor Juliano Son, da Comunidade Missionária, com a "missão de oferecer abrigo e proteção a crianças em situação de risco".

Empresa deleteou sua "responsabilidade social"


Com informação e foto do Repórter Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário